quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

some things you can't wash.


Consegues ouvir a água? Consegues sentir que alguma coisa aconteceu? Há um estranho cheiro no ar, sal e ferrugem. não sabes o que é. Abres a porta em 5 segundos e corres em direcção ao quarto. Sobes as escadas de dois em dois. Abres a porta e nada. Percorres todos os cantos, abres as gavetas, janelas, tiras a roupa do armário e arrancas os lençóis. Não encontraste nada.

No escritório ouves um som, uma música, conheces tão bem. "Possibility" Lykke Li, sabias o que isso significava. Correste para a casa de banho, abriste a porta e os teus olhos pregaram-se na banheira. Chuveiro aberto, branco da porcelana, preto da maquilhagem, vermelho de sangue. Viste-te semi-vestida, sentada contra a parede. Com os joelhos ao nível do queixo, agarrando todo o teu corpo. Tinhas o preto na cara, espalhado em linhas paralelas a cair dos olhos, lágrimas negras. O cheiro a sal e ferrugem tinha-se tornado mais intenso e foi então que viste a faca. A lâmina suja de sangue vivo, sangue do corte que tinhas no pulso, pingava pingava.

Com movimentos repetitivos para a frente e para trás, o olhar fixo na parede percebeste.

Caí outra vez.

sábado, 11 de dezembro de 2010

De que é feito um fenómeno?


Introdução

Pelas próximas palavras serão descritas a maior, mais controversa, mais enigmática, mais sedutora e apaixonante história de todas. Algo que não poderá nunca ser comparado a grandes nomes como William Shakespeare ou Emily Bronte, mas que conseguiu marcar o seu lugar na história da Humanidade. Vendas de livros, bilheteiras fizeram explodir a escala, deixando fãs, autora, actores, produção, realizadores e descrentes completamente boquiabertos. O sucesso que alcançou surpreendeu o mundo.

Uma mulher chamada Stephenie Meyer, casada e mãe de três filhos. No dia 2 de Junho de 2003 (7 anos atrás), Stephenie deixou-se ficar deitada. Embora tivesse milhares de coisas para fazer, a licenciada em literatura pela Brigham Young University, deixou-se levar pelos pensamentos que lhe assombravam o consciente. Vive no estado norte-americano do Arizona.


Tudo nasceu de um sonho. Um sonho.


Crepúsculo.

Um prado, um simples prado colorido por flores silvestres de cores amarelas e roxas. Dois corpos. Uma rapariga, adolescente, simples. Um rapaz, adolescente, simples. Assim nasceu um dos maiores movimentos do Planeta Terra.

"É Ele quem conhece o que se esconde nas trevas

E a luz mora junto d'Ele."

Daniel 2,22

Prefácio

"Nunca reflectira longamente sobre a forma como morreria - ainda que, ao longo dos meses anteriores, tivesse tido motivos de sobra para tal-, mas, mesmo que o tivesse feito, jamais teria imaginado que seria assim."

Crepúsculo, 2005

“Primeira Vista”

Isabella Marie Swan, filha de Charlie e Reneé, muda-se de casa de sua mãe (Phoenix) para a cidade natal de seu pai, em Forks. A mãe tinha acabado de casar, com Phill e, este era jogador de basebol, ou seja, passaria muito tempo na estrada. De modo a possibilitar a oportunidade da mãe acompanhar Phill, Bella opta por mudar-se para casa do seu pai. Passando de um ambiente solarengo para o condado mais chuvoso em todo os Estados da América.

Nessa pequena cidade do estado de Washington, Bella inicia o seu junior year (equivalente ao 11º ano, em Portugal) a meio do Semestre. Conhece pessoas como Ben, Jessica, Angela, Tyler, Lauren e Mike. Mas ao entrar na sua primeira aula de Biologia a sua vida toma um rumo totalmente diferente. Ao deparar-se com aquela cara, ao sentar-se ao seu lado a sua vida toma um novo caminho. Como se um trilho no meio da mais densa floresta tivesse sido escavado à pressa, para algo não esperado mas impossível de recusar.

Edward Cullen não soube o que se estava a passar. Como seria possível que o sangue de uma simples humana que nunca tinha visto na vida o poderia alterar daquela forma? Não soube responder à sua própria questão e ao debater-se com a dor agonizante de uma garganta seca e em fogo durante uma hora inteira, optou pela cobardia da fuga. Fugiu para o Alasca, junto do Clã Denali, onde levou o tempo que precisou para decidir que não seria aquela criatura frágil e insignificante a perturbar a sua vida em família. Não pertencia ali, pertencia com os seus, a sua família. Por essa razão rumou de novo a Forks sem deixar que o sentido de assassino se apoderasse dele. Alimentou-se constantemente de modo a poder estar perto da humana sem que ela o afectasse com tanto poder.

No final de um dia de aulas, Bella colocou a sua mala em cima do capo da nova/velha carrinha pick-up Chevy de 1956, vermelha ferrugenta, enquanto buscava pelas chaves do carro. Nesse mesmo instante, Tyler perdeu controlo da sua carrinha e embateu directamente contra o carro de Bella! A única coisa entre a carrinha e Bella foi Edward Cullen e a sua mão contra a porta de Tyler. Impeliu a carrinha para longe, de modo a não atingir Bella. No segundo anterior ao embate, Edward pensou "Ela não!".

Apenas um segundo. Por um segundo, podia não ter nascido uma das maiores histórias de amor. Após o acidente, Bella debateu-se contra os segredos que Edward escondia. Este tentava a todo o custo evitá-la e afastá-la, embora não deixasse passar a oportunidade de a observar dormir durante a noite, quando subia à janela do seu quarto. Perto do Baile da escola, Jessica e Angela decidem uma visita a Port Angeles, uma cidade perto com melhor leque de comércio, onde possam procurar por vestidos. Bella acompanha-as com o objectivo de comprar um livro sobre lendas Quileutes, a tribo de Jacob Black.

Jacob é um velho amigo de infância, filho do melhor amigo de Charlie, Billy Black. Pertencem à velha tribo Quileute, que vive na sua própria reserva. Durante um passeio na praia de La Push, na reserva, Jacob fala a Bella sobre o porquê de Edward e a da família não visitarem aquela praia. Explica que uma antiga lenda fala sobre o facto dos seus antepassados descenderem de antigos lobos e do seu inimigo mortal. Os "frios", ou como descritos pela autora "The Cold-Ones". Estes são criaturas frias que se alimentam de sangue e ameaçaram, em tempos, a tribo. No final da conversa, Jacob dá a entender um antigo, possível, encontro entre os frios e a tribo, ao avançar que talvez eles tivessem voltado para Forks - "Or, maybe they moved back".

“Lendas”

Em Port Angeles, Bella deixa a livraria com o seu livro e parte para o restaurante, onde encontraria Jessica e Angela. Mas ao deparar-se com alguns homens na rua, desvia-se do seu caminho inicial, acabando por perder-se e encontrando-se num beco sem saída. É encurralada pelos homens e quando se prepara para começar a gritar e relembra os mandamentos básicos da defesa 101, um Volvo prateado familiar aparece acelerando a fundo. Edward saiu do carro, com uma expressão de fúria e ordena a Bella que entre no carro. Seguidamente, ao deixarem para trás os homens odiosos, Edward leva Bella a jantar. Durante o jantar conversam e Edward acaba por declarar que já não tem "a força suficiente para ficar longe" dela, ao que Bella responde "then don't". Ao regressarem ao carro e se encaminharem para casa, Bella toca em Edward e apercebe-se da temperatura da sua pele. Gelada, fria e dura como pedra. Ao chegar a casa folheia o seu novo livro em busca da lenda sobre os frios e as seguintes palavras saltam à sua vista "velocidade, força, pele branca, fria e dura, sangue, desmembramento, morte e, a mais importante - vampiro.

No dia seguinte, encaminha-se para a floresta onde se encontram. Bella acusa Edward com as lendas e os factos, ao que Edward lhe diz a verdade. É um vampiro. Nasceu em Chicago em 1908, foi transformado por Carlile, aos 17 anos em 1918. Morria de gripe espanhola quando aconteceu.

A relação dos dois cresce a cada dia que passa. Não tendo o cariz de uma paixoneta de adolescente, ganha cada vez mais força. Lutando contra o facto do cheiro de Bella ser ameaçadoramente sedutor e apelativo para Edward, contra serem parte de diferentes espécies, de um crescer e o outro não, de um morrer e o outro não.

“O Jogo”

Bella é apresentada à família, que a adopta como uma da sua espécie, ao contrário de Rosalie que nunca aceita Bella. Num dia de trovoada, decidem jogar basebol e Bella é convidada a assistir. Durante o jogo, vampiros nómadas interrompem. O grupo era constituído por três vampiros, Laurent, James e Victoria. James sente o cheiro de Bella e tenta atacar, sendo impedido pelo Clã Cullen. Sendo James um batedor, ou seja, marca pessoas e caça-as, Edward e Bella são forçados a fugir. Laurent desiste da luta e dirige-se para junto do Clã Denali, no Alasca, de modo a reeducar-se. Victoria alia-se a James. Bella é levada para sul, por Alice e Jasper. Edward, Carlile e Emmett criam um falso rasto do odor de Bella, na tentativa de enganar James e encurralá-lo. Rosalie e Esme ficam em Forks para proteger Charlie, na eventualidade de procurarem Bella em sua casa.

James entende o jogo mais cedo do que deveria e consegue fugir, rumando a Phoenix, ainda cidade de Bella. Alice vê James numa sala de ballet, perto do Hotel onde eles se encontravam. E alerta o resto da família para que se encontrem e criarem um novo plano. No mesmo momento, Bella recebe uma chamada de casa (casa de Phoenix), pensando que a sua mãe estava na Florida atende surpresa. Quem lhe fala é James, forçando-a a encontrar-se com ele no seu antigo atelier de Ballet, ameaçando a sua mãe.

Sabendo que Edward nunca lhe permitiria ir sozinha ao encontro de James, e que este perceberia se outros vampiros estivessem perto, foge de Alice e Jasper. Encontravam-se no aeroporto esperando a chegada de Edward e a restante família, mas consegue fugir antes da sua chegada e parte ao encontro do vampiro e da sua mãe.

Ao chegar ao ateliê, encontra um televisor ligado com um vídeo a passar. Era um vídeo em que a sua mãe chamava por ela, quando Bella era ainda uma criança. Ai percebeu que a sua mãe estava segura na Florida, o que significava que James era o único naquele estúdio com ela. O seu caçador olhou-a e iniciou o seu jogo. Atacou-a empurrando-a, o que a fez voar pela sala e embater contra um espelho, deixando a sua cabeça a sangrar. Com uma câmara de filmar, gravava o vídeo de sua morte, com o objectivo de fazer chegar a cassete a Edward. Agarrou a sua perna e Bella ouviu o som do seu osso partir seguido de um grito agudo de dor. Edward entrou no estúdio e projectou James para longe. Olhou Bella nos olhos, pegou nela e tentou levá-la para longe. Mas a sua tentativa foi travada por James que agarrou Edward pelo pé e o projectou contra uma janela, deixando bela cair junto dos cacos de vidro e espelho, perfurando a sua perna, causando-lhe uma, ainda maior, perda de sangue. James pegou na mão de Bella, ergueu-a no ar e mordeu o seu pulso. Edward impeliu-se na direcção do vampiro e começou a desmembrá-lo.

Chegam os irmãos de Edward, juntamente com Carlile, que tomam o seu lugar preparando uma fogueira para queimar o corpo desmembrado de James.

Bella deitada no chão, perdia consciência devido à massiva perda de sangue, e ao fogo que lhe queimava a mão e a cabeça. O veneno de James começava a espalhar-se pelo seu sistema. Carlile deu a opção a Edward, deixar ou não dar-se a transformação? Edward optou por deixar Bella humana e, pegando no seu braço, abocanhou a mordidela de James e chupou o veneno para fora, ingerindo o veneno. O sabor de sangue de Bella era tão doce que Edward entrou num frenesim e foi quase impossível parar.

Bella acordou no hospital, com uma perna engessada, costelas partidas, uma transfusão de sangue e uma grande dose de analgésicos. Edward estava ao seu lado, durante toda a recuperação.

De volta a Forks, Edward levou Bella ao Baile da sua escola, no qual, por baixo de um alpendre, juraram que ficariam juntos para sempre. A única diferença, seriam as intenções de cada um. Para Edward uma vida humana para Bella chegaria, com ele sempre a seu lado e quando Bella morresse Edward segui-la-ia com agrado. Para Bella, significava uma vida de eternidade, uma vida em que o dia nunca acabaria. Uma vida de um dia, um dia eterno.

Assim termina o primeiro volume da Saga da Luz e Escuridão. The Twilight Saga tem já o filme em DVD, contando com a participação de actores como Kristen Stewart ("Jumper"), no papel de Bella; Robert Pattinson("Harry Potter e o Cálice de Fogo"), no papel de Edward Cullen; e, Cam Gigandet("Never back Down"), no papel de James. Realizado por Catherine Hardwicke, estreou em 2008.

"Eu já tomara tal decisão e tinha a certeza de que era a mais acertada. Não importava que o corpo estivesse tão rígido como uma tábua, que os meus punhos estivessem cerrados, que a minha respiração estivesse irregular..."


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Have I found you, flightless bird?


O que é que eu fazia sem ti? O que é que eu fazia se a primeira coisa que visse ao acordar não fosse a tua cara? Agora que penso nisso, não sei. Não sei mesmo.

Ouvi-te entrar. Não quis abrir os olhos, tinha receio que ainda restasse alguma claridade no quarto, depois de abrires a porta. Mesmo assim conseguia sentir algo aproximar-se. Senti as costas de uma mão roçar-me pela maçã do rosto e senti os meus músculos relaxarem. O toque era familiar, percebi logo de quem se tratava. Só mesmo a razão da minha existência. A partir do momento em que te percebi deitado ao meu lado, aninhei-me suavemente e deixei-me escorregar pelas ruelas do sono profundo.

O mundo é tão perfeito, não o mundo geral, mas o meu. Tenho tudo o que sempre desejei. Numa cabana nas montanhas, clima chuvoso, uma lareira sempre acesa e alguém com quem partilhar o calor. Tinha sempre uma ansiedade crescente para chegar a casa. Tinha sempre alguém para quem voltar.

Mas passei uma noite agitada, considerando outro mundo. Imaginando o que seria se acordasse e não encontrasse ninguém ao meu lado. Como seria a minha vida se não tivesse alguém para quem voltar? Triste, só - nunca foram palavras que utilizasse para me descrever. Mas a minha incondicional confiança em ti não me permite duvidar da nossa vida juntos. Para onde irias tu sem mim? Citando as tuas próprias palavras "where else would I go?", questão a que respondi com: "You can't leave me". E não deixaste, nunca deixarás.

Imaginar-nos separados não é possível sequer. Somos dois pedaços, que se sós, se tornariam disformes e não-aceites pelo mundo. Completas-me, eu completo-te! A irrealidade é tanta que não tenho sequer a capacidade de imaginar o que seria o A sem o B. Se algo acontecesse a um de nós, sei que não ficaríamos separados durante muito tempo, corria atrás de ti e tu de mim. Até ao fim do mundo, até ao fim dos tempos. Queremos a eternidade, não foi isso que prometemos nos nossos votos? Não é suficiente uma longa e feliz vida juntos, queremos sempre mais. O tempo é efémero.

Senti-me remexer, não quis mais continuar deitada. Apoiei-me nos cotovelos e ergui o tronco. Bocejei, virei o corpo de lado. Vi-te, perfeito e eterno. Suspirei, não querendo acordar-te, e deitei-me sobre o teu peito gélido.

Por fim, sussurrei "para sempre".


Phillipa Lamplight, always yours.

sábado, 28 de agosto de 2010

Teen and the Shitty


Sou viciada em "Sex and the City"!! Adoro tudo o que existe

sobre aquela série, sobre aquelas personagens, as vidas delas estúpidas e incrivelmente cómicas. Neste momento não tenho melhor para ocupar as minhas tardes, (deprimente este comentário? don't think so). Bem, o tópico inicial da série é a coluna, escrita por Carrie Bradshaw, igualmente protagonista da série em questão. Se tivesse de criar uma coluna do mesmo estilo não lhe poderia de certo chamar "Sex and the City", primeiro porque Abrantes mal uma cidade se pode chamar e depois, bem, não somos exactamente mulheres de 35 anos - ou mais - com filas de ex-namorados e prateleiras de ficheiros de relacionamentos mal acabados contendo embaraçosas histórias para contar. Por essas mesmas razões e mesmo outras que não são possíveis revelar, o nome que daria à coluna abrantina, escrita por ninguém a não ser eu própria, seria "Teens and The Shitty"! É o melhor adjectivo que encontrei para descrever a vida de um adolescente que nasceu e cresceu em Abrantes, e que ainda não ganhou asinhas para sair de casa, tal como eu.

Actualmente, o tópico seria, "corre enquanto ainda podes e sai daqui por uns dias", porque daqui a, igualmente, uns dias, lá se vai o acordar tarde e o comer comida de jeito em casa, poder sair até tarde, poder ter tempo para simplesmente olhar para o tecto e fazer ABSOLUTAMENTE NADA DE NADA!! Daqui a uns tempos, vamos deixar essa liberdade para trás e percorrer o nosso último ano de secundário. O último ano de meninos, o último ano antes da grande faculdade. Alguns podem mostrar-se entusiastas em relação à grande mudança que se avizinha, cá eu não. Às vezes juro que gostava de poder carregar na pausa e ficar uns anos com 17 anos. Ficar mais uns anos com estas mesmas pessoas, antes que cada um siga a sua vidinha e nunca mais nos vejamos outra vez. Porque provavelmente é exactamente é isso que vai acontecer entre nós e os "conhecidos", os "colegas" e os melhores amigos da juventude. Aquelas pessoas que vês todos os dias, com quem passas mais tempo do que com os teus pais e família, com quem almoças e lanchas todos os dias e ris e choras ... vão desaparecer. Vais ter outros grandes amigos, talvez até melhores. Mas estes vão ser sempre aqueles amigos que se riam contigo nas aulas, e um dia aposto que vais olhar-te ao espelho, lembrar um desses momentos e suspirar. Não vais fazer nada, mas também o que pode haver a fazer nessa altura? Se não lutaste por eles na altura.

Portanto, a conclusão, que eu tiro desta situação toda é, valerá a pena toda esta ligação entre amigos, visto que daqui a uns anos não os verás mais. Valerá a pena? Ou será que as lembranças do passado são uma parte assim tão importante na vida de uma pessoa?

Fica a questão.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Bloodstream



Não acho que tenha algum tipo de loucura. Já pensei nisso, mas acabei por não aceitar. Por isso, hoje, sou normal. Só mesmo isto para explicar: "I think I might’ve inhale you I could feel you behind my eyes You gotten into my bloodstream I could feel you floating in me ".

Boa Música, muito boa letra, perfeita explicação.







I need to feel your hand upon my face

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nossas pessoas

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida", ouvi esta frase repetidamente na faixa número 10, no cd B, cantada pelo Sérgio Godinho. É de facto uma frase batida, uma que nos vem à memória.
A vida é considerada por muitos curta demais. Posso concordar, mas algo me diz que alguém só pode de facto chegar a essa conclusão quando se tem algo feliz, algum peso feliz na vida, que o faz querer viver mais. Logo, alguém que não tem nada por que viver, nunca irá afirmar, com toda a certeza, que a vida é curta. Há quem se farte de viver, daí a taxa de suicídios existir.

Mas existiram mesmo pessoas sem nada na vida? Existirá alguém cujo seu único amigo é ninguém? Quem chegará a esse ponto. Não imagino a minha vida sem as minhas pessoas. Sim, porque são as minhas pessoas e eu sou a delas. É assim que se vive, com as nossas pessoas. Não utilizo a palarva amigo, por vezes acaba por não cumprir o seu papel, pessoas dá mesnos asas ao julgamento. Imagine-se o que é viver sozinha, sem ninguém. Sem ninguém. Porque são as nossas pessoas que nos dão um copo de leite e um prato de sopa quente, nos vêem comer, com um caloroso sorriso no rosto, nos dizem "bom proveito"!

Quando estamos mal, vem-lhes à memória uma frase batida, que nos dizem e aconselham "hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"!

Vale a pena viver, não é?

Rita Silva

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fim da estrada


"Olá". É a única coisa palavra que me atrevo a dizer-te. Não, por favor, não me olhes assim. Eu não tenho culpa de nada! Não me podes culpar por coisas que nem sequer acontecem à minha volta.

Olhaste-me com os olhos carregados de lágrimas e frustração. Não entendi porquê, e foi então que me ergueste os pulsos e vi o sangue. Nunca tinha visto tanto sangue na minha vida, aquele cheiro a sal e ferrugem envolviam o meu estômago num buraco negro. Olhei-o mais uma vez e vi-o cada mais branco, com uma ligeira coloração esverdeada. E então, tudo ficou escuro, com um apito agudo a ecoar nos interior nos meus ouvidos. Deixei-me levar pela escuridão.


Uma cena passava repetidamente da minha cabeça. Uma discussão eterna, algo que parecia nunca mais acabar. De costas voltadas para mim e eu só pensava "olha para mim". Era só isso que eu queria, que olhasses para mim, uma última vez. Só mais uma vez...


Abri os olhos, para vislumbrar uma sala branca, repleta de luz artificial. Não aparentava ter janelas. Estava num hospital, conseguia ouvir o pingar do soro, pling pling... O banco das visitas estava vazio.


Que silêncio tão só!


Eu, só eu .


18/08/2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

“Tenho um visão do sonho, só não o torno real”





Hoje percebi que comecei a ouvir vozes. Hoje apercebi-me que estava a perder a pouca razão que ainda tinha conseguido sobreviver ao meu abalo. Senti-me triste, perdida. Não sabia o que fazer, eram conversas. Mas a voz dos meus receptores eram pouco nítidas, pouco reais. Só a minha falada em voz alta se ouvia. Não via nada de irreal. Via o local real onde me encontrava. Percebi que o meu desejo pelo irreal se estava a tornar maior. Maior do que era suposto. Deveria por um fim a tudo. Devia carregar na pausa. Estará isto a tornar-me num ser ainda mais infantil, ou será o contrário? Estarei a tornar-me numa adolescente de meia idade. Estarei a envelhecer mais depressa, a perder a esperança de que realmente ocorra algo que

mude drasticamente o plano em que vivo, que cheguei ao

ponto em que tento criá-la por mim própria. Tento dar-

lhe vida dentro da minha cabeça. Que triste, que deprimente. Que engraçado. E riu ao pensar nisto, vezes sem conta. Acho estúpido! Acho desenxabido. Se ao menos toda essa irrealidade podesse tornar-se mais real. Talvez se eu visse e ouvisse tudo o que acontece e tudo o que projeto na minha mente, sem pormenor. É que neste preciso momento, é me complicado encontrar nexo para o que faço, para o que crio. Se eu tivesse, uma espécie de alucinação visual e ouvisse perfeitamente as vozes das minhas cristalinas personagens, talvez podesse substituir a minha vida real por elas. Podia continuar a estudar, a comer, a viver normalmente. Mas teria sempre a pessoa número 1 ao meu lado, como um amigo imaginário. Seria como a Izzie Stevens na série "Anatomia de Grey", quando começa a ver o seu falecido marido. Esta mantém a sua vida, o seu emprego, os seus amigos. Mas com o Denny ao seu lado, é 1 ponto para ambas as partes. Realidade- 1 PONTO; Irrealidade-1 PONTO. Mas penso que preferiria por de parte o pequeníssimo facto da Izzie ter um tumor cerebral mortal e inoperável. Essa parte não me importaria de passar. Também porque (e nem acredito que estou a admitir isto), tenho medo de não saber quem iria optar. Que lado iria optar! Se a minha realidade com os meus amigos e a minha vida que tenho relatado. Ou se a minha feliz irrealidade, ainda que por breves momentos. Teria aquela parte lá, pronta a envolver-me num abraço tão apertado que me faria sentir que estava tudo bem. Que o mundo era perfeito. Depois, iria para o céu, o paraíso. Ele acredita nisso, nesse mundo superior. Ele seguir-me-ia sem dúvida. Porque ambos seriamos a perfeição do mundo do outro. Seriamos o mais importante, aquela coisa que se temos, somos incapazes de abdicar. É demasiado nossa, faz parte. Acaba por tomar conta de tudo. Não deixa mais prioridades. Nada a não ser ele!

O caça pesadelos não está a funcionar. Senti-me de novo atacada, esta noite. Encontrava-me na minha realidade. No meu bairro. Ouvia a sua voz a chamar-me com o seu tom aveludado. Corri na sua direcção, via a sombra dele sumir, sempre que quase o alcançava. Encontrei-o perto de um grande eucalipto. Lembrei aquela zona, como uma mata que se encontra perto da minha casa de infância. Olhou-me nos olhos com uma expressão de raiva, não a reconheci. Tentei alcança-lo, desta vez não se esquivou. Apenas me desviou a mão, com uma expressão de nojo espelhada no seu rosto. Deixei caí-la, sem força, ao lado do corpo. Abriu a boca, suspirou de impaciência, enebriando-me com a sua visão, e disse:
- Não és tu! Estás errada, não és tu quem eu chamava. Eu nem sei quem tu és!
Estas palavras apanharam-me de surpresa. Não esperava este tipo de reacção da sua parte. Soltei um soluço, ao deixar cair uma lágrima solitária. No mesmo intante, limpei-a. Encarnei uma expressão dura, forte, embora magoada. Raivosa até, senti-me traída.
O seu olhar desviou-se, voltando a correr o horizonte com os olhos. De repende, sorriu com um olhar enternecido. Estendeu a mão em direcção ao vazio. Subitamente, um vulto aproximou-se. Alguém diferente. Um mulher pequena, cabelo preto e curto, uns olhos verdes penetrantes. Dirigiu-lhe um sorriso, dando-lhe a mão, não me dirigiu um olhar sequer. Como se eu nem sequer me econtrasse lá. Estavam no mundo encantado. Tal como devia ser o amor, tal como eu o imaginava.
- Estive muito tempo à tua espera! Finalmente chegaste. - declarou a mulher com uma voz suave e carinhosa, aproximando-se dele.
- Peço perdão, minha senhora. Nunca foi minha intenção deixá-la em tal ansiedade. - respondeu com a sua voz firme e cavalheiresca.

Então, de mãos dadas, caminharam em direcção à escuridão da floresta. Tal como um verdadeiro final feliz. Só não era o meu.

Acordei assustada, erguendo-me num salto, respirando de forma ofegante. Arranquei o caça pesadelos do alto da minha cama, pensando "Fui tão roubada!".

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mensagem de Verão


Paint a picture clear cut and pale on a cold winters day.’. Pleno Verão, um ano terminado, um ano que passou depressa. Talvez até depressa demais. Um vasto conjunto de dias futuros parecem acomodar-se à minha frente, com a sua coloração cinzenta, demonstrando-me o tédio. O que não há a fazer com o tempo que se tem. Não tenho exactamente um vasto leque de escolha, mas nada é certo. Se fui capaz de sobreviver ao Inverno, porque não dizer a mim própria que o Verão poderá ser igualmente próspero. 3 Meses era o meu limite. Actualmente, tenho 2 meses. O mês de Junho tem o seu fim anunciado. Serão mais dois meses para passar. Mais de 60 dias que terei de percorrer, com sono e fome. Passando dias com ou sem amigos, com ou sem sol. A normalidade do Verão de uma adolescente de 16 anos. Os planos vêem e vão. E viram mais, sem problemas. Agora resta-me fazer o que gosto. Fazer o que me convém. Escrever. À janela, às 16:13 horas da tarde, enquanto inúmeras pessoas passam horas deitadas ao sol, a torrar. Eu prefiro explorar de forma entusiasta os recantos negros da minha mente. Os pensamentos negros têm se mantido à distância, não tenho perdido tempo com tais observações. Mas é tão sedutora a ideia de me deixar invadir por todo o negativismo que me guiou todo este ano passado. Agora que a rotina deixou de existir e o futuro está constantemente a ser relembrado, não tenho opção senão manter-me forte à pressão e não me deixar ir. Embora seja tão bela, tão diferente, tão existencialista. Talvez não existam palavras para descrever toda a complexidade do sentimento de atracção que partilho com o negro. É como se a minha gravidade fosse totalmente alterada, os pólos se movessem. Fechar os olhos e ver o sonho. Ver tudo o que gostaria que a minha vida fosse. Fixar-me única e exclusivamente nos pormenores. Nos olhos, nos cheiros, a casa de campo, um prado vasto de ervas altas por onde posso correr e correr com o meu vestido branco rendado. É um mundo tão diferente do meu, um mundo aparte. Um mundo estranho. Um mundo bom, para variar. Tenho plena noção de quem não o habitaria, se a escolha fosse minha. Do que existiria ou não. Mas o mundo real é tão simples, tão colorido, tão brilhante, tão berrante. Se ouvirmos bem, juro que conseguiríamos ouvir os gritos de cansaço e desespero do mundo, do nosso mundo. Acho que estou a cair outra vez. Não queria, mas as reflexões têm essa particularidade em mim. Não sou feita de sorrisos e cores interiormente. Sou o contrário do mundo! Sou o oposto, é tão bom ser diferente. Surpreendo-me a cada esquina. Os comportamentos das pessoas têm diferentes reacções em mim. Se chorar ou me rir alto num momento, sou surpreendida. Mas por mim própria. Tentaria adivinhar o que desencadearia tal reacção, mas talvez goste de manter tudo tal como está. A mágica gosta de manter os seus segredos. Quando puxar o coelho da cartola não vou olhar o seu interior, como todos fariam. Gosto de deixar o segredo intacto, o segredo é bom, agradável. Entusiástico. Interessante até. Porque deverei eu querer por fim à minha própria coloração. Um dia estou branca, um dia estou preta, sou uma confusão. Sou desarrumada. Sou especial, mas só para mim, é o meu segredo.

Talvez daqui a uns dez anos, ou menos, seja a tal pessoa sozinha, sentada no banco alto do bar, a bebericar um cosmo. Sempre será vermelho. É uma boa cor, acho que o negro só encaixa na cabeça, cá dentro. Então a conclusão será a normalidade exterior. As conversas casuais. O bater com a cabeça na porta do quarto, do lado de dentro, quando ninguém está a ver. Será esse o segredo. Talvez se tanto o desejo, consiga abrir um portal tridimensional para uma outra vida, a minha outra vida. Aquela que eu quero. Aquela com que sonho. Será que me posso considerar cínica? Ou hipócrita? Por querer habitar outro mundo que não este e não ter coragem de terminar com a vida na qual habito actualmente. Será tão errado desejar tanto algo que chega a doer? Mas ao mesmo tempo, ter medo que ao fechar a porta A a B não se abra no exacto momento.Ter medo de arriscar. É disso que se trata no final? Medo, cobardia. Não passo então de cobarde sem força interior. Um simples pessoa que nada tem de complexo. Tem uma vida tão repleta de tédio que tenta apimentar com a complexidade. Triste, que deprimente conclusão. No fim de tudo, o que é suposto dar-me forças para continuar? Haverá algo no mundo com a coloração certa para mim? Algo correcto e honesto. Alguém, pessoa. Algo, material.

'In just 7 short days, I'll change your life' A decisão a fazer, a morte ou a vida? É o poder que todos temos. Temos o derradeiro controlo sobre nós próprios. No mínimo é o que gostamos de pensar.

'Os afectos pessoais são um luxo que

só podemos alcançar depois

de eliminarmos os nossos inimigos.

Até esse momento, todos os que

amamos são reféns, sabotando-nos

a coragem, e corrompendo-nos

o discernimento’

Orson Scott Card

Empire

PL, voltei. Perdão por não me ter dedicado a vós nos últimos tempos. Mas espera que no meu último a melhoria esteja presente. Estou bem, mudei, mas sou eu. Eu aprendi a gostar, aprendi a conviver com o que sou hoje. Espero que vós também. Agora o negro é meu. Não por outra pessoa mo ter passado com uma ruptura radical, mas meu. Finalmente, sim!

Phillipa Lamplight, 29/06/2010

17:09h

terça-feira, 27 de abril de 2010

Capítulo III: " Ganha coragem e fala"



Rodrigo Menezes perdeu a paciência consigo mesmo. Nunca na sua vida se tinha sentido tão afectado por alguém, por uma simplória rapariga. Tentava dar voltas à cabeça, numa tentativa de entender o porquê daquela vergonha, daquele instinto maligno. Parado, a 5 metros dela, aproximou-se, fixando um olhar interrogatório.

-Desculpa, estavas a falar para mim? - e logo se seguida se arrependeu de ter iniciado a conversa assim.

-Ah! Desculpe, não reparei que estava alguém aqui, eu vou embora. - disse encolhendo a cabeça, escondendo-se de vergonha atrás dos seus longos cabelos. O facto de o ter tratado por "você", despertou uma ponta de irritação em Rodrigo. Só faltava dizer que tinha cara de velho.

-Não! Não vás... Eu não quis assustar-te, venho só numa visita de estudo. Sou, o Rodrigo Menezes, prazer!

-Não me assustaste, nunca disse isso. Ai ai, desculpa lá! Vou começar de novo, olá, sou a Maria Rita e não gosto do meu apelido.

-Ainda bem que não e não faz mal. É normal que estejas exaltada e não "assustada" com a minha súbita presença.

-Não me parece que tenha sido a tua presença, era mais este sítio, esta fonte... - e olhou mais uma vez a marca.

-E o que tem esta fonte de especial para ti? É linda sem dúvida alguma. Mas o quê em especial? - interrogou.

-Eu tenho uma, chamemos-lhe "pancada" com coisas velhas, antigas. Gosto de tocar-lhes e...

-...Saber que à anos e anos atrás, outras pessoas tocaram neste exacto sítio. Pessoas que nunca conhecerás, pessoas importantes, com vidas completamente abstractas à tua. Desculpa interrompi-te. - disse completando a frase de Rita.

-Não, é exactamente isso que disseste. Como é que... sabias? - perguntou com os olhos cada vez mais cerrados em sinal de suspeita.

-Não Rita, estás com azar. Por muito que penses nisso, eu não sou um vampiro todo lindo, que lê as mentes das pessoas, tipo "Crepúsculo"!

-Ahahahahahahah!!!- e Rita desatou a rir deixando Rodrigo sem saber o que dizer.

-Não precisas de te preocupar com isso. Não sou o tipo que imagina essas coisas mirabolantes. Mas, só para a tua informação, se fosses o estilo Edward Cullen, o que representa o "vampiro todo lindo", não conseguirias ler a minha mente. Sim eu li os livros - disse a última frase com uma ponta de vergonha.

-Eiii, estás a auto-classificar-te como Bella? - disse com um sorriso maroto - Eu não li, mas vi os filmes, é mais interessante.

-Eu não quis dizer isso, humm... Tenho de procurar o meu grupo, não os posso perder.

-Calma Rita, estava só a brincar. Nem eu próprio me classifico como o estereótipo do "Edward Cullen". - informou revirando os olhos.

-Porque não? Se tens essa beleza óbvia, é normalíssimo que o faças.

-"Beleza Óbvia"? humm, é suposto agradecer? Isso significa que sou vulgarmente bonito?

-Relembra-me porque estamos a falar da tua beleza?

-Vampiros!

-Ah! Vampiros... - disseram em coro.Depois riram, conversaram durante uma hora no mínimo, mas conversas que passavam de tema para tema em questão de minutos. Conseguiram ter aquela ligação, em que o tema nunca se acaba. Tinham a plena noção de que poderiam continuar a falar durante uma semana, um mês, um ano e teriam sempre sobre o que falar. Tinham um novo amigo.

As 6 horas chegaram e chegaram à conclusão de que talvez fosse melhor procurarem os seus grupos e voltarem para casa. Rodrigo ofereceu-se para leva-la até o portão da Quinta e caminharam, lado a lado, orgulhosos desse mesmo acto. Ao chegarem ao portão, Rodrigo não pode evitar e perguntou:

-Eu sei que isto provavelmente vai soar muito mal e vais achar que sou super foleiro, mas eu adorei falar contigo hoje. Adoraria que me possibilitasses voltar a falar contigo.

-Podemos começar com o número de telemóvel? - disse Rita com vergonha espelhada nos seus olhos.

-Claro aqui tens. - e entregou-lhe um papel.

-Tu andas com cartões com o teu número de telemóvel? Sou a vigésima rapariga a quem dás o teu número hoje, certo?

-Não, achas mesmo? Simplesmente é uma brincadeira entre mim e os meus irmãos. Gozamos com o meu pai, ele tem estes cartões, como é médico. E nós optamos por arranjar uns também, nunca esperei usar um, mas... há primeiras para tudo.

-Ah! Claro, deixa-me só fingir que acredito nessa história mirabolante. - disse elevando as mãos ao ar e rodopiando-as com ar gozão.

-O que é que tem de mirabolante? Só te disse que o meu pai é médico. - afirmou com um ar carrancudo, embora igualmente brincalhão.

-Bem, bem, parece que nunca saberás o que se passa dentro da minha mente! Muahahah!!- disse com um ar diabólico. Esta conversa estava a tomar um rumo extremamente cómico.

-Mesmo que fosse o vampirinho, o teu, nunca seria capaz de ouvir. - disse piscando-me o olho - Adeus Rita, esperarei com ansiedade o momento em que nos veremos de novo. - exclamou com uma voz suave e aveludada, enquanto caminhava de volta ao interior da Quinta.

-Oh e quem te garante que quererei voltar a ver-te, seu grande fanfarrão! - gritou tentando parecer desinteressada com toda a situação, mas a sua voz denotou muito bem a sua aflição pela sua partida.

-Em breve. - ouviu a voz uma última vez.Ao entrar no autocarro da escola, colocou os phones, agarrou no telemóvel e no cartão, gravou o número com o nome "Rodrigo - Coimbra" e enviou uma mensagem com o seguinte conteúdo: "Só para que saibas que o teu número tem um nome mesmo feio! Maria Rita - Coimbra" e a resposta para esta foi, "típica mensagem de «porcaria», perdoa-me a expressão, de iniciar uma conversa! Mas fico feliz que a tenhas enviado. Rodrigo".E assim continuou a conversa virtual, as novas telecomunicações são sem dúvida a melhor das invenções.

Assim que o autocarro começou a andar, Rita olhou para o portão e lembrou a mulher, D. Maria, e todo o sofrimento que aquele local presenciou.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Capítulo II - "A Fonte"




Rodrigo sentia-se extremamente intrigado em relação aquela rapariga. Talvez tenha sido o sentimento de solidão que os aproximou um para o outro. Mas, inicialmente, Rodrigo, apenas a observou. Observou a rapariga, fantasiou com ela, com o que deveria dizer, com a sua face, como tudo seria. Após minutos extensos como horas de deliberação, optou pela via convencional, mesmo não sabendo porque lhe interessava a forma de abordagem (havia uma primeira vez para tudo).
Rita, permanecia sentada sem saber da presença de outrem. Olhava a fonte com a mesma expressão intrigada. Formando rugas entre as sobrancelhas, que lhe davam um ar querido (uma primeira para a Rita, igualmente). A mulher da fantasia sangrenta de Rita tinha já ganhado vida própria, nome, nascimento, habitação. Um conjunto de vivências que a ajudavam na explicação natural do sucedido.


D. Maria de Macide, nasceu no dia 18 de Setembro no ano de 1219. Oriunda de uma família nobre, vestia trajes bordados a ouro, cabelos apanhados num arranjo perfeito com pérolas que brilhavam ao sol, corpetes apertados que lhe conferiam uma aparência aprazível e um olhar penetrante, que no entanto espelhavam a inocência presente na sua alma.
Carlos António, nascido no dia 8 de Dezembro de 1215. Era um cavaleiro reconhecido, pelo seu talento na luta, pela sociedade da altura. Tinha como maior missão de honra, proteger a vida e a integridade física do Rei e Senhor D. Afonso III. Não há qualquer ligação entre as duas personagens, até ao dia 28 de Abril de 1236. O fatídico dia primaveril que acabou por uni-los no mesmo espaço, no mesmo terreno.
Rei D. Afonso, chamou à sua presença, no anual banquete de Primavera, as famílias de mais altas estirpes, incluindo a família Macide. Estes, da cidade de Coimbra, apresentaram-se ao Rei, no dia marcado, prontos a apresentar a sua filha à Corte. D. Maria foi incutida de que aquele seria o dia mais importante da sua vida. Tinha um alvo, o filho do rei, Afonso. Este era um jovem alto, com barbas pesadas, olhar negro, embora dono de uma cultura digna de inveja dos restantes pretendentes de Maria. Ela vestia um vestido longo de cor verde, uma cauda longa, cabelo solto, com os seus caracóis negros batendo-lhe nas costas nuas e brancas. Os seus olhos, pelo contrário, mantinham uma coloração verde, enjoada, triste. Qualquer alma que ousasse olhar tal beleza, não poderia desviar mais o olhar tentador.
Carlos apresentou-se ao serviço da Guarda Real, no mesmo dia. Como qualquer outro alto membro da Guarda, posicionava-se no flanco direito do Rei, pronto para o proteger de qualquer possível investida.
Durante o banquete, Maria manteve-se perto dos pais, até ao momento em que estes a mandam descolar-se à companhia de Afonso. Ela avançou pela multidão de gentes gritantes pelas novas rosas brancas, que decoravam os jardins da casa de campo do Rei, olhando Afonso. Este já teria dado pelo seu olhar, mas não se teria dado ao trabalho de dar importância. Subitamente, Carlos atravessou bruscamente o campo de visão de Maria, passando por entre ela e Afonso. Maria sentiu uma força invencível dentro dela e observou vivamente Carlos com os olhos espetados na sua direcção.
Carlos, com os seus vinte e um anos de idade, era alto e entroncado, tinha cabelos negros e encaracolados. Um bigode carregado, sem enrolados. Olhos claros, azuis, penetrantes, que lhe cravaram a alma no mais ínfimo recanto corporal. Um pela clara, leitosa e vestia os trajes da Guarda Real, justa ao seu corpo. Esta visão relembrava-lhe o antigo cânone de beleza grega, que tinha aprendido nas conversas que ouvira o seu pai ter com o mercador italiano que o visitara, vindo de Florença.
No momento em que Carlos a olhou pela primeira vez, viu o brilho, o brilho da paixão. Sentiu uma pressão no fundo do seu peito que lho fazia arder. Quem seria aquele ser tão bela, que teria captado a sua atenção de forma tão inconsciente? Mas não seria inconsciente, seria? Se ela o olhava de igual forma também. Carlos, rapidamente lhe dirigiu um suave sorriso e entrou no labirinto do jardim. Maria acordou do seu transe, abanou a cabeça para todos os lados e olhou de novo Afonso, que a fitava com um olhar ciumento, substituído por presunção quando o olhar lhe foi retribuído. Carlos apareceu dez metros mais á frente, dentro do labirinto, submergindo Maria na mesma escuridão que Jonas no ventre da Baleia. Esta deu um passo em frente e só abrandou o andamento, até estar frente a frente para Carlos, não se importando minimamente com o olhar de fúria proveniente de Afonso, que sentia a queimar-lhe as costas.
As primeiras palavras que Maria ouviu, provenientes da boca de Carlos, foram:
-Quem és tu, afinal? – Interrogou, com um ligeiro gozo pendente nos lábios.
Estas palavras foram pronunciadas com uma voz de veludo que a entrelaçava envolta numa meiguice só possível nela.
Deambularam pelo labirinto verdejante durante horas, até o sol ter caído e os cães se terem feito ouvir perto. Gritos chamavam:
- Maria! Maria, onde estás? – Ouviu a voz preocupada, de seu pai.
Os dois olharam-se por uns instantes, despediram-se e prometeram encontrar-se assim que possível. E durante meses a fio, assim foi. Carlos procurava Maria nos bosques ao lado de sua casa e respirava de alívio assim que avistava uma luz proveniente de uma vela, que iluminava o rosto da sua paixão eterna. O amor proibido era um elemento presente e inevitável nas suas vidas. Por vezes apenas se olhavam pela varanda pela varanda. Momentos em que Maria não conseguia escapar às guardas das aias, assim encostando a cabeça, perdido de amores, ao portão.
Maldito foi o dia em que o pai de Maria descobriu. Afonso, pronto para reinar, nunca pode perdoar a um membro da guarda de seu pai, ter-lhe roubado a satisfação de abusar de Maria. Afonso era um homem cruel, com uma natureza má e, então, um dia dirigiu-se à casa dos Macide, numa noite de Inverno fria, às 8 horas da noite, e informou pai de Maria sobre a relação que esta mantinha com Carlos.
Este foi imediatamente chamado pela Guarda e teve de regressar ao palácio real. Maria foi ameaçada pelo pai, que se não casasse com Afonso, seria enviada, prontamente, para o Convento do Porto, longe de todos que afectavam o seu discernimento. Não aguentando tais opções e sofrendo por abandonar sua mãe, Maria partiu. Fugiu levando apenas um punhal para sua protecção, prometendo a si mesma ter a força suficiente para atacar qualquer pessoa que se atravessasse no seu caminho.
Ao chegar a casa de Carlos, foi-lhe aberta a porta por seu pai, que guardava na mão uma carta com o símbolo real. A casa estava iluminada apenas pela luz de uma vela, em cima de uma mesa da cozinha. O velho, com os olhos chorosos, lá encontrou forças para falar e disse:
- Eu lamento muito, menina Maria! Minha querida, doce Maria, mas parece que terás sido atraiçoada pelo destino fatal! Só terás de saber que ele te amou mais do que à própria vida. – e com estas palavras Maria conseguiu sentir uma ruptura dentro de si mesma, nunca voltaria a ver a mesma.
Maria foi invadida por mil emoções, enlouqueceu. Gritou e correu com força pêra lado nenhum, percorrendo as ruas de Coimbra. Não podia ser, no momento em que tinha encontrado o verdadeiro amor, este lhe fora arrancado do peito com a força de mil sóis. Chegou a uma Quinta, os portões grandes pareciam imponentes e carregavam letras grandes que diziam “Quinta das Lágrimas”. Pareceu-lhe correcto e então entrou, vagueando pelos carreiros, ladeados por ervas altas. Encontrou, debaixo de umas escadas, uma fonte. A fonte era de pedra, de onde saía uma água límpida e fresca. E então, na sua mente tudo pareceu claro demais. Se não lhe era permitido estar com Carlos nesta vida, não estaria com mas ninguém. Alcançou o punhal que guardara consigo, este pesava cada vez mais, ardia-lhe nas mãos. Então, finalmente ergueu o punhal e cravou-o no peito! Um dia de sangue, fino, suave, jorrou em direcção ao fundo da fonte.
Passados 774 anos, esse sangue,
permanece.





sábado, 24 de abril de 2010

Fan Fic - The Vampire Diaries


Capítulo I – “A revolta”


Elena enfrentou uma vez mais o olhar selvagem de Stefan, enquanto este se aproximava devagar com uma pose de ataque. Stefan soltava rugidos aterradores da garganta, os seus olhos ganhavam uma coloração negra e a sua pele franzia-se tornando as suas presas visíveis. Elena inspirou fortemente, fechou os olhos e agachou-se, de modo a proteger-se do choque que a atingiria dentro de segundos.
De repente ouviu-se um estrondo! Elena abriu depressa os olhos e viu Stefan ser projectado para o lado contrário da sala, pela força imponente do seu irmão Damon. Sem quase se aperceberem da presença de todos, naquele quarto escuro e antiquado, Damon soluçou e com uma voz que banhada de ameaça violenta, exclamou, "Nunca mais voltarás a magoar a mulher que eu amo! A Elena não será a Catherine, não vou permitir que a magoes."
Stefan, que tinha embatido contra a estante, perdeu a força, sendo esta suplantada pela surpresa, depois choque, depois raiva.
Ergueu-se, percorreu a distância que mantinha entre o irmão, em duas largas passadas, e olhou-o nos olhos. Damon mantinha a exacta mesma expressão. Elena conseguia sentir a tensão presente entre os irmãos Salvatore, numa tentativa falhada de manter o silêncio, chamou a atenção dos dois para si, ao começar a soluçar fortemente, criando lágrimas espessas que lhe desciam pelas faces. Damon e Stefan olharam rapidamente para ela, mas foi Damon que numa velocidade demasiado elevada para que Elena visse mais que uma mancha das cores da roupa que este vestia, a envolveu com os braços, a carregou e a levou de volta a casa. Mas não antes de ouvir a voz apagada de Stefan dizer, "Elena, eu... eu não consigo" e rolou o corpo virando-se para a janela do 1º andar, de onde saltou sem dificuldades, ouvindo-se o baque surto dos seus pés a atingirem o solo firme.


Capítulo I - "O encontro"


“Oh here, will I set up my everlasting rest. And shake the yoke of inauspicious stars, from this world-wearied flesh!
Eyes, look your last.
Arms, take your last embrace.
And lips, Oh, you the doors of breath, seal with a righteous kiss
A dateless bargain to engrossing death”.

Romeo e Julieta, William Shakespeare


Já pensaste o que farias quando o mundo chegasse ao auge? Já pensaste o que dirias, como reagirias, como a tua respiração seria alterada, como o pulsar do teu coração seria tão forte na tua cabeça que parecia que poderia rebentar a qualquer momento? Bem, sem um contexto seria difícil responder a estas questões. Portanto eis a história.
Maria Rita é alguém tipicamente medíocre. Não há nada no mundo para que tenho um talento inato. Não sabe dançar, cantar, escrever. Nunca se deu ao trabalho de tentar explorar o mais ínfimo canto da sua mente em busca de algo "fora do normal". Algo porque pudesse ser caracterizada. Vivia num sítio, só.
Rodrigo Menezes, o contrário de Rita. Conhecido pela sua beleza fora do normal, olhos de uma cor dourada, um maxilar fortemente cravado na sua face, que lhe dava um semblante duro e um nariz aquilino. Era de uma família afortunada, com um pai médico e mãe presente em casa, que deu a sua vida pelos filhos. Irmãos igualmente belos e caracterizados pela inteligência superior. Mas algo de estranho se passava no seio daquela família portuguesa. O convívio social, que era de esperar, simplesmente não era. O que pudéssemos pensar, toda a vida que provavelmente estarás a imaginar para ele e seus irmãos, será o oposto da realidade. Sem falar com ninguém, aparte dos irmãos, Rodrigo vagueava pelos corredores amplos e escuros do antigo Liceu, sem olhar para alma alguma. Para onde os seus olhos olhassem, era como se os mesmos trespassassem o corpo com a facilidade de um punhal afiado. Olhava algo mais, um infinito, um futuro próximo crescente na sua mente.
A vida de ambos passou sem grandes preocupações. Habitavam as suas cidades, arrastando-se pelo mundo, sem nada concreto a que se agarrar. Algo em comum nas suas vidas de estudantes, estava prestes a mudar todas as suas vidas. A visita de estudo. Aquele dia venerado por todos os alunos, em que podiam sair da sua cidade para visitar um sítio desconhecido em que o propósito era "aprender", mas que resultava num dia de convívio entre colegas, viagens de autocarro a cantar a altos berros a música "Eye of The Tiger" quando passava na rádio.

Destino: Coimbra, Quinta das Lágrimas.
Hora de partida: 8:30h
Hora de chegada: 18:30h
Durante estas 10 horas, foi como se os pólos se tivessem movimentado gravemente, e esse mesmo movimento alterou subitamente as suas frágeis vidas humanas. Não passavam disso, simples rosados humanos. Um rapaz. Uma Rapariga. Os dezasseis anos de juventude máxima, em que o mundo não importa, nem nós verdadeiramente importamos. O futuro está cada vez mais próximo, mas parece que temos sempre a capacidade de mentalmente afastarmos a responsabilidade um pouco mais para trás. Como que inocentemente, ambos entraram nos seus respectivos autocarros, se sentaram nos bolorentos acentos, colocaram os phones e adormeceram.
Ao acordar, vislumbraram as velhas ruas da baixinha de Coimbra. Estavam na eterna cidade Universitária, onde, ainda que não se lembrassem, fora posto fim ao romance português mais efémero. D. Pedro e D. Inês de Castro. Talvez tenha sido o ambiente, a ligeira brisa que passava por entre as árvores e as fazia tremer, o correr da água pela fonte, mas algo nesse dia os afectou.
Entraram no jardim, comprido e verdejante, acompanhando os seus respectivos grupos de escola, e iniciaram a visita. Enquanto a guia explicava aos desatentos colegas a história da Quinta das Lágrimas, Rita e Rodrigo foram-se deixando ficar para trás. Ainda longe um do outro, mas parece que já eram, agora antes de se conhecerem, comandados pela mesma força gravitacional, eles próprios. Ao chegarem a uma escada que dava para a parte superior do jardim, por onde seguiriam para um almoço carregado de calorias na relva, Rita travou o andamento e deixou-se ficar com os olhos pregados numa pequenina fonte, de pedra cinzenta. Era velha, gasta pelo tempo, mas a água que saía da abertura feita na pedra era límpida e fresca. Como uma marca do passado que se recusa a partir, uma mancha pesada se encontrava no fundo daquela fonte. Rita conseguia sentir o cheiro a sal e ferrugem, Sangue! Um caminho ondulado de sangue, desenhava uns ligeiros rodopios na pedra antiga. Rita sentou-se na beira e divagou com a sua mente, sobre de quem o sangue seria, o que teria acontecido, que situação teria levado aquele sangue derramado. Nunca saberei porquê, mas a teoria que Rita construiu na sua mente, foi a de uma mulher abandonada, deixava só na sua longa vida, que tinha perdido as forças. Se tinha sentado no mesmo local em que ela estava, na mesma posição, com longas vestes e teria cravado um punhal no peito, de modo a ganhar poder da sua vida. Podia ter perdido tudo, mas algo ela ainda tinha. O poder de ditar que ela própria viveria, ou morreria. Rita não sabia se teria sido por orgulho, ou se por cobardia, mas mesmo assim sem hesitar, teria cravado o punhal e morrido, só.
Enquanto Rita divagava o pensamento, Rodrigo caminhava pelo carreiro no meio das flores, arbustos e árvores. Encantado pelo canto dos pássaros e pela imagem do sol a penetrar a imponência das árvores, dava passo a passo, um a seguir ao outro, sem pensar verdadeiramente em nada. Então ouviu uma voz. Mas não era uma voz qualquer, era uma voz límpida, suave, sonhadora. Ouvia-a baixinha, mas perto. Deixou a beleza da paisagem envolvente e baixou o olhar. Vislumbrou de novo o jardim, sem grandes mudanças, a não ser uma rapariga franzina, sentada à beira de uma fonte, ditando palavra atrás de palavra, como se hipnotizada. Dizia, " Eu sabia, no fundo do meu coração, dentro dos meus ossos, na cor dos meus baços olhos, no sangue aflorado da minha pele, que o amor que sentiste por alguém, lhe deu o poder para te quebrar. Quebrar eternamente e irrevogavelmente".

23/04/2010
Filipa Pereira

sábado, 17 de abril de 2010

Liliana - O encontro




Demorei horas até chegar a Los Angeles. Avião, autocarro, táxi, metropolitano. Depois de dias à espera, estou do lado direito da passadeira vermelha dos MTV Movie Awards 2010. Onde iriam passar alguns dos meus maiores ídolos, o êxtase era a emoção correcta para descrever a corrente eléctrica que percorria o meu corpo. Visto uns jeans preto escuro, uma t-shirt verde manchada do canto inferior direito da gordura dos baldes de galinha frita do KFC, e uns all star verdes todos rasgados e escritos. Sim, não estava nas minhas melhores roupas, mas vesti-as na mesma, naquela casa de banho pública, porque queria ser eu própria, ao mais alto nível naquela noite. Não sabia o que iria acontecer, mas as minhas expectativas não eram altas. Esperava o normal: a emoção incontrolável e as lágrimas correntes; a desilusão do momento passar num instante; a depressão dos dias posteriores; e, finalmente, a aceitação e assim a minha vida continua. Acho que eu própria queria que a minha vida fosse mais do que uma simples obsessão por pessoas que não conhecia, que podiam muito bem ser más pessoas. Porque deveria eu idolatrar pessoas que não conheço? Pessoas que podem não passar de beleza exterior e psicologias baratas. Mas eu não passo de uma adolescente inconsciente, de uns míseros 16 anos de idade que não tem a mínima noção do que faz. Pelo menos é essa a visão que o munda parece ter de mim, desde os meus 13/14 anos. Será que nunca vais mudar? Bem, eu estou aqui por alguma razão. A primeira é porque amo o homem errado; a segunda é porque quero deixar de amá-lo.
Vim com um grupo de raparigas que não conheço de lado nenhum e, sinceramente, nem me importei em conhecer. Temos opiniões diferentes sobre a razão de estarmos aqui hoje. O que fiz foi segui-las para todo o lado, mas sem prestar atenção ao que faziam. Sempre com phones nos ouvidos, caminhei na direcção desconhecida das ruas de LA. Os dias passaram, o sentimento foi aumentando e agora o momento chegou.
Hora H! As luzes foram acesas, a passadeira vermelha rolou pelo passeio extenso, as grades foram colocadas. Tudo estava pronto, os paparazzi tinham as câmaras apontadas para os carros que se aproximavam vagarosamente e eu já não podia tanto com tantos nervos. Vi os carros com as janelas cobertas de wallpapers do novo filme a estrear da Saga Twilight: Breaking Dawn. A porta abriu-se, os pés pousaram no chão. A cabeça saiu baixa, devido às luzes, mas logo de seguida os olhos ergueram-se. Fui deitada a baixo com a emoção que me preencheu! Não tinha palavras, não tinha força, era como se nada de prendesse aquele chão e estivesse apenas à espera de começar a flutuar e ser levada pelos ventos. Ele saiu do carro, caminhou em direcção aos fãs, que gritavam histéricos pelo seu nome, para dar os respectivos autógrafos. Eu tinha criado uma ampola de ar à minha volta, embora milhares de raparigas me empurrassem, gritassem aos meus ouvidos eu não sentia, não ouvia. Apenas o conseguia fitar, nem me apercebi que não tinha a reacção que sempre imaginei que teria. Fui o contrário, senti que com este momento o tinha cravado profundamente no meu peito, de onde nunca iria conseguir sair.
Subitamente senti os seus olhos nos meus, o meu coração voou-o, senti-o palpitar cada vez mais depressa, no peito, na cabeça onde sentia o seu pulsar com violência. Sorri, na tentativa de captar o seu olhar durante uns poucos segundos a mais. Ele não sorriu, mas também não desviou o olhar. Entretanto minutos tinham passado e os seus colegas com quem tinha partilhado o carro, já se encontravam à entrada do edifício. Ele franziu o sobrolho, formando as rugas entre os olhos que tinha estudado exaustivamente no ecrã no meu computador barato. Mostrava surpresa, curiosidade, intriga, uma ponta de desilusão que rapidamente foi substituída por um passo rápido na minha direcção.
Fiquei parada, não, continuei parada! Cheguei à conclusão que não me mexia há imenso tempo e que os meus braços começavam a doer seriamente, conseguia sentir as minhas unhas a cravarem-se na pela enquanto as minhas mãos formavam uns punhos cerrados. Ele continuava a caminhar na minha direcção com os olhos percorrendo cada linha da minha expressão, embora eu estivesse uma lástima sem mínima dúvida. Ao chegar perto de mim, a sua expressão alterou-se por completo, apresentando uma serenidade absoluta. Uma expressão de alívio, como se estivesse à minha espera este tempo todo, tal como eu tinha esperado por ele todos estes dias. Surpreendendo-me mais uma vez, ergueu as mãos ao nível da minha cara, segurou-a colando a sua testa à minha e sussurrou-me "Acorda!".
Abri instintivamente os olhos e vislumbrei o meu quarto. Deslizei para o lado oposto da cama, agarrei-o e disse "Bom Dia!".

Filipa Pereira
19:24h
Sábado, 17 de Abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

New Moon - Razão e Amor


"E no entanto, para dizer a verdade,

hoje em dia, a razão e o amor quase não andam juntos."

William Shakespeare

Sonho de Uma Noite de Verão

III Acto, Cena I


Hoje atingi o auge! Hoje soube o resto da minha vida, pelo menos conheci o pilar da mesma. Apenas com o olhar, descobri o trilho bem demarcado na floresta densa que é a minha vida. Não se poderá chamar de "amor à primeira vista", pois isso soa demasiado banal. Fui deitada abaixo com a força de mil sóis, não me dei ao trabalho mínimo de me tentar erguer de novo. A força que me derrotou, que me derrubou, é fria, branca e dura. Sendo fria, os seus beijos são os mais mornos de todos, consegue obstruir-me todo o corpo e retirar-me o mecanismo de respirar. Branca, como mármore, uma estátua que representa melhor que ninguém o cânone de beleza Grega! Dura, mas o seu toque proporciona o mais suave dos toques. Edward Cullen, o amor da minha existência!
Mas subitamente algo mudou. Algum movimento, superior à limitada mente humana, mudou drasticamente a linha da minha vida. Não sei se foi a minha constante falta de sorte, os meus "acidentes" regulares, ou simplesmente a minha simplicidade e mediocridade que o afastaram. A minha era e é ele! O meu céu mudou, o meu chão mudou, tudo se alterou a partir do momento em que olhei aqueles olhos dourados, aquele ouro líquido pela primeira vez. A força gravitacional que me movimentava e ajustava em relação ao mundo era, única e exclusivamente, ele! O mundo era o local perfeito, ele habitava ao meu lado. Subitamente a minha mente foi invadida por pensamentos negros e sádicos, sem sentido algum. As palavras do adeus, da despedida, da revelação final rodopiavam pela minha mente e eu não tinha a capacidade de falar. Queria gritar "Não, por favor fica, eu farei tudo por ti, tudo o que queiras. Por favor não vás", mas a minha garganta estava completamente serrada. A cara molhada, os olhos ardiam das lágrimas e eu apenas soluçava. Sabia que ele me ouvia, por isso obriguei as minhas pernas a avançarem pela floresta, pela vegetação, pela chuva que enlameava a terra fértil onde anteriormente tínhamos plantado o nosso amor eterno. Corri, saltei, chorei e acabei por cair. Fiquei quieta com o vago pensamento de que se ele me ouvisse cair viria certificar-se de que estava bem. Isso dar-me-ia a oportunidade de o agarrar com os meus fracos braços humanos, suplicar-lhe que não partisse, ameaçá-lo com a minha própria vida se fosse necessário. O meu amor por ele tem a força de me tornar na pessoa mais egoísta, como disse, fazia tudo por ele.
Deixei-me debruçada no chão e acabei por adormecer, sonhei com algo frio e molhado, desconfortável, triste, apagado! Passaram-se meses, meses de angústia, de sonhos, de memórias, de lágrimas, de gritos, de sonhos. Eu perdi a razão, perdi a paciência para a vida, perdi a noção do tempo e do espaço. Vazia, exacto. Tentei contactar a Alice, a minha única e melhor amiga, mas nem ela me parecia responder. Será que esta família, esta minha família seria um devaneio da minha mente? Não tinha provas materiais de que eles existiam, apenas memórias a que me agarra com unhas e dentes. Nunca perderia estas imagens, sons e cheiros doces e amáveis! Eu sou as minhas memórias, por muita tristeza que me possam causar, elas são a minha existência!
Por muito que venha, por muito que passe, por muito que eu cresça, nunca haverá um "TU". Sou a tua Bella para sempre, a frágil humana a quem um dia juraste amor eterno.
Nunca imaginei que me pudesse sentir assim, como se nunca tivesse visto o céu antes, quero desaparecer no teu beijo, a cada momento que passa amo-te cada vez mais. Ouve o meu coração, consegues ouvi-lo cantar. Este diz-me para dar-te tudo o que é meu. As estações podem mudar, Inverno para o Primavera. Mas eu amo-te, até ao último dia da minha existência!

Filipa Pereira

terça-feira, 2 de março de 2010

Diogo Tomaz + Filipa Pereira = 3º Balcão S. Pedro




Existes, apareceste há 5 anos atrás na minha vida. Desde então tens-te mantido fiel ao teu papel, estudaste bem as falas e acabaste por encarnar de tal forma bem a personagem, que criaste um encaixe perfeito comigo! Existes e por favor permanece! Continua a estar lá com as tuas palavras carinhosas e amáveis, com a tua inocência e ingenuidade.
Diogo Tomaz, futuro grande actor português, presente grande amigo!