
O que é que eu fazia sem ti? O que é que eu fazia se a primeira coisa que visse ao acordar não fosse a tua cara? Agora que penso nisso, não sei. Não sei mesmo.
Ouvi-te entrar. Não quis abrir os olhos, tinha receio que ainda restasse alguma claridade no quarto, depois de abrires a porta. Mesmo assim conseguia sentir algo aproximar-se. Senti as costas de uma mão roçar-me pela maçã do rosto e senti os meus músculos relaxarem. O toque era familiar, percebi logo de quem se tratava. Só mesmo a razão da minha existência. A partir do momento em que te percebi deitado ao meu lado, aninhei-me suavemente e deixei-me escorregar pelas ruelas do sono profundo.
O mundo é tão perfeito, não o mundo geral, mas o meu. Tenho tudo o que sempre desejei. Numa cabana nas montanhas, clima chuvoso, uma lareira sempre acesa e alguém com quem partilhar o calor. Tinha sempre uma ansiedade crescente para chegar a casa. Tinha sempre alguém para quem voltar.
Mas passei uma noite agitada, considerando outro mundo. Imaginando o que seria se acordasse e não encontrasse ninguém ao meu lado. Como seria a minha vida se não tivesse alguém para quem voltar? Triste, só - nunca foram palavras que utilizasse para me descrever. Mas a minha incondicional confiança em ti não me permite duvidar da nossa vida juntos. Para onde irias tu sem mim? Citando as tuas próprias palavras "where else would I go?", questão a que respondi com: "You can't leave me". E não deixaste, nunca deixarás.
Imaginar-nos separados não é possível sequer. Somos dois pedaços, que se sós, se tornariam disformes e não-aceites pelo mundo. Completas-me, eu completo-te! A irrealidade é tanta que não tenho sequer a capacidade de imaginar o que seria o A sem o B. Se algo acontecesse a um de nós, sei que não ficaríamos separados durante muito tempo, corria atrás de ti e tu de mim. Até ao fim do mundo, até ao fim dos tempos. Queremos a eternidade, não foi isso que prometemos nos nossos votos? Não é suficiente uma longa e feliz vida juntos, queremos sempre mais. O tempo é efémero.
Senti-me remexer, não quis mais continuar deitada. Apoiei-me nos cotovelos e ergui o tronco. Bocejei, virei o corpo de lado. Vi-te, perfeito e eterno. Suspirei, não querendo acordar-te, e deitei-me sobre o teu peito gélido.
Por fim, sussurrei "para sempre".
Phillipa Lamplight, always yours.
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