
"Olá". É a única coisa palavra que me atrevo a dizer-te. Não, por favor, não me olhes assim. Eu não tenho culpa de nada! Não me podes culpar por coisas que nem sequer acontecem à minha volta.
Olhaste-me com os olhos carregados de lágrimas e frustração. Não entendi porquê, e foi então que me ergueste os pulsos e vi o sangue. Nunca tinha visto tanto sangue na minha vida, aquele cheiro a sal e ferrugem envolviam o meu estômago num buraco negro. Olhei-o mais uma vez e vi-o cada mais branco, com uma ligeira coloração esverdeada. E então, tudo ficou escuro, com um apito agudo a ecoar nos interior nos meus ouvidos. Deixei-me levar pela escuridão.
Uma cena passava repetidamente da minha cabeça. Uma discussão eterna, algo que parecia nunca mais acabar. De costas voltadas para mim e eu só pensava "olha para mim". Era só isso que eu queria, que olhasses para mim, uma última vez. Só mais uma vez...
Abri os olhos, para vislumbrar uma sala branca, repleta de luz artificial. Não aparentava ter janelas. Estava num hospital, conseguia ouvir o pingar do soro, pling pling... O banco das visitas estava vazio.
Que silêncio tão só!
Eu, só eu .
18/08/2010
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