domingo, 18 de janeiro de 2009

A borboleta


Uma borboleta muito colorida, muito leve, muito jovem. Cresceu numa pradaria com a sua família, amigos e outras borboletas. A vida delas não passava de passear e explorar, mas nem tudo era assim tão simples. A exploração para aquele grupo de borboletas incluía apenas a pradaria, nada mais que isso! As borboletas são muito medrosas, tinham medo de quase tudo. Insectos, vento, chuva, muito sol! Nunca conseguiriam viver numa situação de extremos. Tudo tinha de ser moderado. O clima, a comida, as conversas, a velocidade de voo. Mas esta borboleta não pensava assim, ela queria quebrar as regras e voar bem alto. Voar como nunca outra borboleta voou. Sempre tivera várias discussões com o grupo. Por muito que fossem seus amigos, nunca conseguiram compreender as suas opções tão únicas, tão próprias!
Então um dia, de noite, a borboleta fugiu. Saiu do seu cantinho baixinho, abriu as asinhas coloridas e compridas e voou! Foi em direcção ao nascer do sol. Ao vê-lo nascer, pousou numa flor e contemplou a vista tão acolhedora e calorosa!
Nesse momento, ali, sozinha, ela sentiu e saboreou, finalmente, a Liberdade! Dali viu o mundo sem limites, sem barreiras! Tudo o que poderia alcançar…
Provou o sabor da vida, e sabes que mais? Ela gostou! : D

A ervinha




Era uma vez uma ervinha. Esta vivia numa vasta planície verde e amarela, estava rodeada de flores amarelas, grandes e vistosas. A ervinha sempre se sentiu triste por ser diferente, não tinha amigos porque todas as restantes flores a olhavam de lado. Passava os seus dias triste e pensativa, pensando quando tudo aquilo acabaria. Não sabia, a vida era mesmo assim, nascíamos num certo e determinado local e morreríamos sempre ali nesse mesmo local. Todas as outras flores aceitavam sem questionar a sua vida e a forma como iriam morrer. Mas não a ervinha, ela queria lutar pelos seus direitos de viver e ser livre. Tinha um sonho, voar com o vento e chegar até à casa no cimo do monte. A casa no cimo do monte estava um pouco longe, mas mesmo assim a ervinha nunca desistiu de tentar imaginar como seria a vida de quem lá vivia. Imagina de uma forma tão forte que quase podia ouvir os risos das crianças que brincavam no quintal, os gritos da mãe que os chamava para jantar, os sons e os sorrisos da vida dos que eram livres.
Um dia, as flores amarelas, mais velhas começaram a agitar-se mas do que era costume. Ergueram-se e abriram as pétalas vistosas. Estavam lindas, a ervinha pensava para si " o quando eu gostaria de ser assim tão bonita e colorida". De repente viu alguém sair da casa do cimo do monte. Várias crianças se dirigiam para a planície a correr acompanhadas pela mãe. Ao chegarem, a mãe disse às crianças "procurem uma flor para levar para casa! Queremos um ramo bonito.". As crianças começaram a procurar as flores mais lindas, nenhuma olhava para a ervinha.
Num determinado momento, a ervinha olhou para a mãe e viu que uma menina pequena, tão inocente, estava agarrada à sua mão. Esta olhava o campo e de repente os seus olhares cruzaram-se. A menina agora apontava para a ervinha. Esta pensou que, provavelmente, estaria a troçar da sua fealdade, mas não poderia ser, a menina estava a sorrir para ela. Aproximou-se, disse à mãe "dente-de-leão!", sorriu para a ervinha e pegou nela. A ervinha estava confusa. Todas as outras crianças tinham optado pelas flores amarelas, mas esta menina pequena, tão linda, tão genuína tinha escolhido a ervinha. Ao pegar na ervinha a menina disse " És linda, branquinha", de seguida elevou a ervinha ao nível da sua boca, inspirou com força e soprou! A ervinha dividiu-se em sementes, pequenas sementes brancas que agora preenchiam o céu à sua volta. A menina disse "agora vão haver mais flores bonitas, tal como tu!" ! A ervinha agora feliz, percebeu finalmente que não era importante sermos exactamente como todos os outros, não era o mais importante seguir os comportamentos, porque um dia, alguém vai chegar, vai existir alguém no mundo, que vai sorrir graças à nossa pureza e, não por sermos diferentes, mas sim por sermos nos próprios!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A vida


Estava no topo da montanha, no local mais alto, não podia subir mais!

De repente, a neve começou a derreter e eu perdi o equilíbrio. Caí, comecei a rolar, desci a montanha. Batia nas rochas, abria a pele, sentia o sangue a escorrer, a cabeça a latejar e tudo a ficar preto. Deixei de ter noção do real e não sentia mais a dor. Agora era como se eu ainda estivesse no cume da montanha, o vento batia-me na cara, o meu cabelo esvoaçava e sentia aquele friosinho na barriga! Tudo estava lá, eu estava lá, tudo era perfeito:D

Caí, bati no chão!! Vi que já não me encontrava no cimo, no cume, no ponto mais mágico daquele mundo existente. Estava caída no chão, tinha chegado ao início da montanha, pessoas rodeavam-me e chamavam-me à razão, queriam que eu acordasse, para que podessem desinfectar-me as feridas, para me trazerem de novo à vida! Eu não queria acordar, queria voltar ao cume, mas não era possível. Não tinha força para subir e o sol já não batia no cume da montanha. Agora chovia torrencialmente, não via nada, a minha cara e mãos tremiam, o meu cabelo estava ensopado, os meus olhos ardiam. Queria bater com a cabeça e esquecer tudo, esquecer a subida, o cume magnífico, a descida repentina e o momento em que me encontrava.

Mas nada disso iria acontecer, a dor estava lá, o sangue não parava de escorrer pelo abdómen, pelas pernas. braços, corpo. Comecei a ofegar, o peito ardia. Num último esforço, elevei a parte superior do meu frágil corpo, olhei o céu e disse "Obrigada!"!! Caí! Fiquei ali, estendida no chão, inerte, morta, sem reacção.

Esta foi a vida!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História de um rio


Sempre tive um rio mesmo à porta de casa, mas um dia ao chegar a casa vi que ele tinha desaparecido. Já tinha reparado em algumas diferenças na forma como ultimamente ele corria, mas não liguei. Fiz mal, cometi um grande erro. Pensava que ele iria ficar aqui comigo para sempre mas enganei-me. Agora penso será que ele vai voltar? Que apenas estava confuso? As respostas não vêem, por muito que eu pergunte, por muito que eu grite, por muito que eu chore, por muito que eu me questione. Não sei se vai voltar, mas penso que se cansou de aqui estar e mudou de terra, de local, foi procurar um monte pelo qual possa descer e descer sem que não ande ninguém atrás dele. Liberdade era o que ele queria, o que todos nós procuramos, mas eu tinha a minha liberdade com ele mesmo na minha beira, mas ele não pensava assim. Fugiu, correu para bem longe. E mesmo assim hoje em dia quando ele passa lá bem ao longe a correr bem rápido pelos montes vizinhos eu sinto dificuldade em olhar e em cumprimentar. Um dia, estava à janela e pus-me a pensar, o porquê de não ser capaz de ser como era dantes, muito antes de ele viver mesmo no meu monte. Encontrei a resposta, mas ao mesmo tempo percebi que afinal não era assim tão fácil "olhar e cumprimentar" porque doía. Não era fácil para mim, tudo isso, porque sentia falta de ouvir o som da água a bater nas rochas, dos animais que ele atraía, tudo isso me fazia sentir triste. Pensava em formas de esconder ou mesmo esquecer essa tristeza, mas também não havia forma. Todos os montes me diziam "Deixa que com o tempo outros rios viram", mas isso apenas que revoltava mais. Não queria outro rio, queria o meu rio, mas esse já estava demasiado longe para que eu tivesse possibilidade de o alcançar. Então eu chorei, mas chorei com muita força, deixei tudo sair, até que nada ficou. Apenas uma linda lembrança de um sentimento que por aqui passou (: