
Demorei horas até chegar a Los Angeles. Avião, autocarro, táxi, metropolitano. Depois de dias à espera, estou do lado direito da passadeira vermelha dos MTV Movie Awards 2010. Onde iriam passar alguns dos meus maiores ídolos, o êxtase era a emoção correcta para descrever a corrente eléctrica que percorria o meu corpo. Visto uns jeans preto escuro, uma t-shirt verde manchada do canto inferior direito da gordura dos baldes de galinha frita do KFC, e uns all star verdes todos rasgados e escritos. Sim, não estava nas minhas melhores roupas, mas vesti-as na mesma, naquela casa de banho pública, porque queria ser eu própria, ao mais alto nível naquela noite. Não sabia o que iria acontecer, mas as minhas expectativas não eram altas. Esperava o normal: a emoção incontrolável e as lágrimas correntes; a desilusão do momento passar num instante; a depressão dos dias posteriores; e, finalmente, a aceitação e assim a minha vida continua. Acho que eu própria queria que a minha vida fosse mais do que uma simples obsessão por pessoas que não conhecia, que podiam muito bem ser más pessoas. Porque deveria eu idolatrar pessoas que não conheço? Pessoas que podem não passar de beleza exterior e psicologias baratas. Mas eu não passo de uma adolescente inconsciente, de uns míseros 16 anos de idade que não tem a mínima noção do que faz. Pelo menos é essa a visão que o munda parece ter de mim, desde os meus 13/14 anos. Será que nunca vais mudar? Bem, eu estou aqui por alguma razão. A primeira é porque amo o homem errado; a segunda é porque quero deixar de amá-lo.
Vim com um grupo de raparigas que não conheço de lado nenhum e, sinceramente, nem me importei em conhecer. Temos opiniões diferentes sobre a razão de estarmos aqui hoje. O que fiz foi segui-las para todo o lado, mas sem prestar atenção ao que faziam. Sempre com phones nos ouvidos, caminhei na direcção desconhecida das ruas de LA. Os dias passaram, o sentimento foi aumentando e agora o momento chegou.
Hora H! As luzes foram acesas, a passadeira vermelha rolou pelo passeio extenso, as grades foram colocadas. Tudo estava pronto, os paparazzi tinham as câmaras apontadas para os carros que se aproximavam vagarosamente e eu já não podia tanto com tantos nervos. Vi os carros com as janelas cobertas de wallpapers do novo filme a estrear da Saga Twilight: Breaking Dawn. A porta abriu-se, os pés pousaram no chão. A cabeça saiu baixa, devido às luzes, mas logo de seguida os olhos ergueram-se. Fui deitada a baixo com a emoção que me preencheu! Não tinha palavras, não tinha força, era como se nada de prendesse aquele chão e estivesse apenas à espera de começar a flutuar e ser levada pelos ventos. Ele saiu do carro, caminhou em direcção aos fãs, que gritavam histéricos pelo seu nome, para dar os respectivos autógrafos. Eu tinha criado uma ampola de ar à minha volta, embora milhares de raparigas me empurrassem, gritassem aos meus ouvidos eu não sentia, não ouvia. Apenas o conseguia fitar, nem me apercebi que não tinha a reacção que sempre imaginei que teria. Fui o contrário, senti que com este momento o tinha cravado profundamente no meu peito, de onde nunca iria conseguir sair.
Subitamente senti os seus olhos nos meus, o meu coração voou-o, senti-o palpitar cada vez mais depressa, no peito, na cabeça onde sentia o seu pulsar com violência. Sorri, na tentativa de captar o seu olhar durante uns poucos segundos a mais. Ele não sorriu, mas também não desviou o olhar. Entretanto minutos tinham passado e os seus colegas com quem tinha partilhado o carro, já se encontravam à entrada do edifício. Ele franziu o sobrolho, formando as rugas entre os olhos que tinha estudado exaustivamente no ecrã no meu computador barato. Mostrava surpresa, curiosidade, intriga, uma ponta de desilusão que rapidamente foi substituída por um passo rápido na minha direcção.
Fiquei parada, não, continuei parada! Cheguei à conclusão que não me mexia há imenso tempo e que os meus braços começavam a doer seriamente, conseguia sentir as minhas unhas a cravarem-se na pela enquanto as minhas mãos formavam uns punhos cerrados. Ele continuava a caminhar na minha direcção com os olhos percorrendo cada linha da minha expressão, embora eu estivesse uma lástima sem mínima dúvida. Ao chegar perto de mim, a sua expressão alterou-se por completo, apresentando uma serenidade absoluta. Uma expressão de alívio, como se estivesse à minha espera este tempo todo, tal como eu tinha esperado por ele todos estes dias. Surpreendendo-me mais uma vez, ergueu as mãos ao nível da minha cara, segurou-a colando a sua testa à minha e sussurrou-me "Acorda!".
Abri instintivamente os olhos e vislumbrei o meu quarto. Deslizei para o lado oposto da cama, agarrei-o e disse "Bom Dia!".
Filipa Pereira
19:24h
Sábado, 17 de Abril de 2010
Vim com um grupo de raparigas que não conheço de lado nenhum e, sinceramente, nem me importei em conhecer. Temos opiniões diferentes sobre a razão de estarmos aqui hoje. O que fiz foi segui-las para todo o lado, mas sem prestar atenção ao que faziam. Sempre com phones nos ouvidos, caminhei na direcção desconhecida das ruas de LA. Os dias passaram, o sentimento foi aumentando e agora o momento chegou.
Hora H! As luzes foram acesas, a passadeira vermelha rolou pelo passeio extenso, as grades foram colocadas. Tudo estava pronto, os paparazzi tinham as câmaras apontadas para os carros que se aproximavam vagarosamente e eu já não podia tanto com tantos nervos. Vi os carros com as janelas cobertas de wallpapers do novo filme a estrear da Saga Twilight: Breaking Dawn. A porta abriu-se, os pés pousaram no chão. A cabeça saiu baixa, devido às luzes, mas logo de seguida os olhos ergueram-se. Fui deitada a baixo com a emoção que me preencheu! Não tinha palavras, não tinha força, era como se nada de prendesse aquele chão e estivesse apenas à espera de começar a flutuar e ser levada pelos ventos. Ele saiu do carro, caminhou em direcção aos fãs, que gritavam histéricos pelo seu nome, para dar os respectivos autógrafos. Eu tinha criado uma ampola de ar à minha volta, embora milhares de raparigas me empurrassem, gritassem aos meus ouvidos eu não sentia, não ouvia. Apenas o conseguia fitar, nem me apercebi que não tinha a reacção que sempre imaginei que teria. Fui o contrário, senti que com este momento o tinha cravado profundamente no meu peito, de onde nunca iria conseguir sair.
Subitamente senti os seus olhos nos meus, o meu coração voou-o, senti-o palpitar cada vez mais depressa, no peito, na cabeça onde sentia o seu pulsar com violência. Sorri, na tentativa de captar o seu olhar durante uns poucos segundos a mais. Ele não sorriu, mas também não desviou o olhar. Entretanto minutos tinham passado e os seus colegas com quem tinha partilhado o carro, já se encontravam à entrada do edifício. Ele franziu o sobrolho, formando as rugas entre os olhos que tinha estudado exaustivamente no ecrã no meu computador barato. Mostrava surpresa, curiosidade, intriga, uma ponta de desilusão que rapidamente foi substituída por um passo rápido na minha direcção.
Fiquei parada, não, continuei parada! Cheguei à conclusão que não me mexia há imenso tempo e que os meus braços começavam a doer seriamente, conseguia sentir as minhas unhas a cravarem-se na pela enquanto as minhas mãos formavam uns punhos cerrados. Ele continuava a caminhar na minha direcção com os olhos percorrendo cada linha da minha expressão, embora eu estivesse uma lástima sem mínima dúvida. Ao chegar perto de mim, a sua expressão alterou-se por completo, apresentando uma serenidade absoluta. Uma expressão de alívio, como se estivesse à minha espera este tempo todo, tal como eu tinha esperado por ele todos estes dias. Surpreendendo-me mais uma vez, ergueu as mãos ao nível da minha cara, segurou-a colando a sua testa à minha e sussurrou-me "Acorda!".
Abri instintivamente os olhos e vislumbrei o meu quarto. Deslizei para o lado oposto da cama, agarrei-o e disse "Bom Dia!".
Filipa Pereira
19:24h
Sábado, 17 de Abril de 2010
thanks amiga!!! está muito fixe.... só tu para me fazeres isto!! LY
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