‘Paint a picture clear cut and pale on a cold winters day.’. Pleno Verão, um ano terminado, um ano que passou depressa. Talvez até depressa demais. Um vasto conjunto de dias futuros parecem acomodar-se à minha frente, com a sua coloração cinzenta, demonstrando-me o tédio. O que não há a fazer com o tempo que se tem. Não tenho exactamente um vasto leque de escolha, mas nada é certo. Se fui capaz de sobreviver ao Inverno, porque não dizer a mim própria que o Verão poderá ser igualmente próspero. 3 Meses era o meu limite. Actualmente, tenho 2 meses. O mês de Junho tem o seu fim anunciado. Serão mais dois meses para passar. Mais de 60 dias que terei de percorrer, com sono e fome. Passando dias com ou sem amigos, com ou sem sol. A normalidade do Verão de uma adolescente de 16 anos. Os planos vêem e vão. E viram mais, sem problemas. Agora resta-me fazer o que gosto. Fazer o que me convém. Escrever. À janela, às 16:13 horas da tarde, enquanto inúmeras pessoas passam horas deitadas ao sol, a torrar. Eu prefiro explorar de forma entusiasta os recantos negros da minha mente. Os pensamentos negros têm se mantido à distância, não tenho perdido tempo com tais observações. Mas é tão sedutora a ideia de me deixar invadir por todo o negativismo que me guiou todo este ano passado. Agora que a rotina deixou de existir e o futuro está constantemente a ser relembrado, não tenho opção senão manter-me forte à pressão e não me deixar ir. Embora seja tão bela, tão diferente, tão existencialista. Talvez não existam palavras para descrever toda a complexidade do sentimento de atracção que partilho com o negro. É como se a minha gravidade fosse totalmente alterada, os pólos se movessem. Fechar os olhos e ver o sonho. Ver tudo o que gostaria que a minha vida fosse. Fixar-me única e exclusivamente nos pormenores. Nos olhos, nos cheiros, a casa de campo, um prado vasto de ervas altas por onde posso correr e correr com o meu vestido branco rendado. É um mundo tão diferente do meu, um mundo aparte. Um mundo estranho. Um mundo bom, para variar. Tenho plena noção de quem não o habitaria, se a escolha fosse minha. Do que existiria ou não. Mas o mundo real é tão simples, tão colorido, tão brilhante, tão berrante. Se ouvirmos bem, juro que conseguiríamos ouvir os gritos de cansaço e desespero do mundo, do nosso mundo. Acho que estou a cair outra vez. Não queria, mas as reflexões têm essa particularidade
Talvez daqui a uns dez anos, ou menos, seja a tal pessoa sozinha, sentada no banco alto do bar, a bebericar um cosmo. Sempre será vermelho. É uma boa cor, acho que o negro só encaixa na cabeça, cá dentro. Então a conclusão será a normalidade exterior. As conversas casuais. O bater com a cabeça na porta do quarto, do lado de dentro, quando ninguém está a ver. Será esse o segredo. Talvez se tanto o desejo, consiga abrir um portal tridimensional para uma outra vida, a minha outra vida. Aquela que eu quero. Aquela com que sonho. Será que me posso considerar cínica? Ou hipócrita? Por querer habitar outro mundo que não este e não ter coragem de terminar com a vida na qual habito actualmente. Será tão errado desejar tanto algo que chega a doer? Mas ao mesmo tempo, ter medo que ao fechar a porta A a B não se abra no exacto momento.Ter medo de arriscar. É disso que se trata no final? Medo, cobardia. Não passo então de cobarde sem força interior. Um simples pessoa que nada tem de complexo. Tem uma vida tão repleta de tédio que tenta apimentar com a complexidade. Triste, que deprimente conclusão. No fim de tudo, o que é suposto dar-me forças para continuar? Haverá algo no mundo com a coloração certa para mim? Algo correcto e honesto. Alguém, pessoa. Algo, material.
'In just 7 short days, I'll change your life' A decisão a fazer, a morte ou a vida? É o poder que todos temos. Temos o derradeiro controlo sobre nós próprios. No mínimo é o que gostamos de pensar.
'Os afectos pessoais são um luxo que
só podemos alcançar depois
de eliminarmos os nossos inimigos.
Até esse momento, todos os que
amamos são reféns, sabotando-nos
a coragem, e corrompendo-nos
o discernimento’
Orson Scott Card
Empire
PL, voltei. Perdão por não me ter dedicado a vós nos últimos tempos. Mas espera que no meu último a melhoria esteja presente. Estou bem, mudei, mas sou eu. Eu aprendi a gostar, aprendi a conviver com o que sou hoje. Espero que vós também. Agora o negro é meu. Não por outra pessoa mo ter passado com uma ruptura radical, mas meu. Finalmente, sim!
Phillipa Lamplight, 29/06/2010
17:09h
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