terça-feira, 27 de abril de 2010

Capítulo III: " Ganha coragem e fala"



Rodrigo Menezes perdeu a paciência consigo mesmo. Nunca na sua vida se tinha sentido tão afectado por alguém, por uma simplória rapariga. Tentava dar voltas à cabeça, numa tentativa de entender o porquê daquela vergonha, daquele instinto maligno. Parado, a 5 metros dela, aproximou-se, fixando um olhar interrogatório.

-Desculpa, estavas a falar para mim? - e logo se seguida se arrependeu de ter iniciado a conversa assim.

-Ah! Desculpe, não reparei que estava alguém aqui, eu vou embora. - disse encolhendo a cabeça, escondendo-se de vergonha atrás dos seus longos cabelos. O facto de o ter tratado por "você", despertou uma ponta de irritação em Rodrigo. Só faltava dizer que tinha cara de velho.

-Não! Não vás... Eu não quis assustar-te, venho só numa visita de estudo. Sou, o Rodrigo Menezes, prazer!

-Não me assustaste, nunca disse isso. Ai ai, desculpa lá! Vou começar de novo, olá, sou a Maria Rita e não gosto do meu apelido.

-Ainda bem que não e não faz mal. É normal que estejas exaltada e não "assustada" com a minha súbita presença.

-Não me parece que tenha sido a tua presença, era mais este sítio, esta fonte... - e olhou mais uma vez a marca.

-E o que tem esta fonte de especial para ti? É linda sem dúvida alguma. Mas o quê em especial? - interrogou.

-Eu tenho uma, chamemos-lhe "pancada" com coisas velhas, antigas. Gosto de tocar-lhes e...

-...Saber que à anos e anos atrás, outras pessoas tocaram neste exacto sítio. Pessoas que nunca conhecerás, pessoas importantes, com vidas completamente abstractas à tua. Desculpa interrompi-te. - disse completando a frase de Rita.

-Não, é exactamente isso que disseste. Como é que... sabias? - perguntou com os olhos cada vez mais cerrados em sinal de suspeita.

-Não Rita, estás com azar. Por muito que penses nisso, eu não sou um vampiro todo lindo, que lê as mentes das pessoas, tipo "Crepúsculo"!

-Ahahahahahahah!!!- e Rita desatou a rir deixando Rodrigo sem saber o que dizer.

-Não precisas de te preocupar com isso. Não sou o tipo que imagina essas coisas mirabolantes. Mas, só para a tua informação, se fosses o estilo Edward Cullen, o que representa o "vampiro todo lindo", não conseguirias ler a minha mente. Sim eu li os livros - disse a última frase com uma ponta de vergonha.

-Eiii, estás a auto-classificar-te como Bella? - disse com um sorriso maroto - Eu não li, mas vi os filmes, é mais interessante.

-Eu não quis dizer isso, humm... Tenho de procurar o meu grupo, não os posso perder.

-Calma Rita, estava só a brincar. Nem eu próprio me classifico como o estereótipo do "Edward Cullen". - informou revirando os olhos.

-Porque não? Se tens essa beleza óbvia, é normalíssimo que o faças.

-"Beleza Óbvia"? humm, é suposto agradecer? Isso significa que sou vulgarmente bonito?

-Relembra-me porque estamos a falar da tua beleza?

-Vampiros!

-Ah! Vampiros... - disseram em coro.Depois riram, conversaram durante uma hora no mínimo, mas conversas que passavam de tema para tema em questão de minutos. Conseguiram ter aquela ligação, em que o tema nunca se acaba. Tinham a plena noção de que poderiam continuar a falar durante uma semana, um mês, um ano e teriam sempre sobre o que falar. Tinham um novo amigo.

As 6 horas chegaram e chegaram à conclusão de que talvez fosse melhor procurarem os seus grupos e voltarem para casa. Rodrigo ofereceu-se para leva-la até o portão da Quinta e caminharam, lado a lado, orgulhosos desse mesmo acto. Ao chegarem ao portão, Rodrigo não pode evitar e perguntou:

-Eu sei que isto provavelmente vai soar muito mal e vais achar que sou super foleiro, mas eu adorei falar contigo hoje. Adoraria que me possibilitasses voltar a falar contigo.

-Podemos começar com o número de telemóvel? - disse Rita com vergonha espelhada nos seus olhos.

-Claro aqui tens. - e entregou-lhe um papel.

-Tu andas com cartões com o teu número de telemóvel? Sou a vigésima rapariga a quem dás o teu número hoje, certo?

-Não, achas mesmo? Simplesmente é uma brincadeira entre mim e os meus irmãos. Gozamos com o meu pai, ele tem estes cartões, como é médico. E nós optamos por arranjar uns também, nunca esperei usar um, mas... há primeiras para tudo.

-Ah! Claro, deixa-me só fingir que acredito nessa história mirabolante. - disse elevando as mãos ao ar e rodopiando-as com ar gozão.

-O que é que tem de mirabolante? Só te disse que o meu pai é médico. - afirmou com um ar carrancudo, embora igualmente brincalhão.

-Bem, bem, parece que nunca saberás o que se passa dentro da minha mente! Muahahah!!- disse com um ar diabólico. Esta conversa estava a tomar um rumo extremamente cómico.

-Mesmo que fosse o vampirinho, o teu, nunca seria capaz de ouvir. - disse piscando-me o olho - Adeus Rita, esperarei com ansiedade o momento em que nos veremos de novo. - exclamou com uma voz suave e aveludada, enquanto caminhava de volta ao interior da Quinta.

-Oh e quem te garante que quererei voltar a ver-te, seu grande fanfarrão! - gritou tentando parecer desinteressada com toda a situação, mas a sua voz denotou muito bem a sua aflição pela sua partida.

-Em breve. - ouviu a voz uma última vez.Ao entrar no autocarro da escola, colocou os phones, agarrou no telemóvel e no cartão, gravou o número com o nome "Rodrigo - Coimbra" e enviou uma mensagem com o seguinte conteúdo: "Só para que saibas que o teu número tem um nome mesmo feio! Maria Rita - Coimbra" e a resposta para esta foi, "típica mensagem de «porcaria», perdoa-me a expressão, de iniciar uma conversa! Mas fico feliz que a tenhas enviado. Rodrigo".E assim continuou a conversa virtual, as novas telecomunicações são sem dúvida a melhor das invenções.

Assim que o autocarro começou a andar, Rita olhou para o portão e lembrou a mulher, D. Maria, e todo o sofrimento que aquele local presenciou.

1 comentário:

  1. se nao falasse eu vampiros e no edward cólon era capaz de gostar mais xD


    Luis Rodrigues xDD

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