quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História de um rio


Sempre tive um rio mesmo à porta de casa, mas um dia ao chegar a casa vi que ele tinha desaparecido. Já tinha reparado em algumas diferenças na forma como ultimamente ele corria, mas não liguei. Fiz mal, cometi um grande erro. Pensava que ele iria ficar aqui comigo para sempre mas enganei-me. Agora penso será que ele vai voltar? Que apenas estava confuso? As respostas não vêem, por muito que eu pergunte, por muito que eu grite, por muito que eu chore, por muito que eu me questione. Não sei se vai voltar, mas penso que se cansou de aqui estar e mudou de terra, de local, foi procurar um monte pelo qual possa descer e descer sem que não ande ninguém atrás dele. Liberdade era o que ele queria, o que todos nós procuramos, mas eu tinha a minha liberdade com ele mesmo na minha beira, mas ele não pensava assim. Fugiu, correu para bem longe. E mesmo assim hoje em dia quando ele passa lá bem ao longe a correr bem rápido pelos montes vizinhos eu sinto dificuldade em olhar e em cumprimentar. Um dia, estava à janela e pus-me a pensar, o porquê de não ser capaz de ser como era dantes, muito antes de ele viver mesmo no meu monte. Encontrei a resposta, mas ao mesmo tempo percebi que afinal não era assim tão fácil "olhar e cumprimentar" porque doía. Não era fácil para mim, tudo isso, porque sentia falta de ouvir o som da água a bater nas rochas, dos animais que ele atraía, tudo isso me fazia sentir triste. Pensava em formas de esconder ou mesmo esquecer essa tristeza, mas também não havia forma. Todos os montes me diziam "Deixa que com o tempo outros rios viram", mas isso apenas que revoltava mais. Não queria outro rio, queria o meu rio, mas esse já estava demasiado longe para que eu tivesse possibilidade de o alcançar. Então eu chorei, mas chorei com muita força, deixei tudo sair, até que nada ficou. Apenas uma linda lembrança de um sentimento que por aqui passou (:

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