sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A vida


Estava no topo da montanha, no local mais alto, não podia subir mais!

De repente, a neve começou a derreter e eu perdi o equilíbrio. Caí, comecei a rolar, desci a montanha. Batia nas rochas, abria a pele, sentia o sangue a escorrer, a cabeça a latejar e tudo a ficar preto. Deixei de ter noção do real e não sentia mais a dor. Agora era como se eu ainda estivesse no cume da montanha, o vento batia-me na cara, o meu cabelo esvoaçava e sentia aquele friosinho na barriga! Tudo estava lá, eu estava lá, tudo era perfeito:D

Caí, bati no chão!! Vi que já não me encontrava no cimo, no cume, no ponto mais mágico daquele mundo existente. Estava caída no chão, tinha chegado ao início da montanha, pessoas rodeavam-me e chamavam-me à razão, queriam que eu acordasse, para que podessem desinfectar-me as feridas, para me trazerem de novo à vida! Eu não queria acordar, queria voltar ao cume, mas não era possível. Não tinha força para subir e o sol já não batia no cume da montanha. Agora chovia torrencialmente, não via nada, a minha cara e mãos tremiam, o meu cabelo estava ensopado, os meus olhos ardiam. Queria bater com a cabeça e esquecer tudo, esquecer a subida, o cume magnífico, a descida repentina e o momento em que me encontrava.

Mas nada disso iria acontecer, a dor estava lá, o sangue não parava de escorrer pelo abdómen, pelas pernas. braços, corpo. Comecei a ofegar, o peito ardia. Num último esforço, elevei a parte superior do meu frágil corpo, olhei o céu e disse "Obrigada!"!! Caí! Fiquei ali, estendida no chão, inerte, morta, sem reacção.

Esta foi a vida!

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