sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Consciência


O que fazer quando voltas do teu refúgio e o mundo que deixaste para trás já não é o mesmo? Fugiste durante uns momentos mas mesmo assim a vida conseguiu apanhar-te. Encurralou-te num beco lamacento e colou-te uma faca à garganta, sendo assim o teu fim cada vez mais iminente. A vida estava tão perfeita querida, tudo flores e passarinhos e as nuvens eram rosa de algodão. Como é que tudo passou da magia incandescente para este final negro e escurecido, amor? Gostava de ajudar, verdade que sim. Mas por vezes acho que devias resolver tudo sozinha! Era melhor para ti, acredita que sim. Devias esquecer a hipocrisia e a superioridade e encarar a real vida que tens. Sim, podes ser alguém importante, popular até, mas isso não te paga as contas, como já deves ter reparado. Docinho, devias trabalhar um pouco mais para encarares os problemas de frente e realmente resolvê-los. Sabes que pôr os teus problemas dentro de uma caixa de plástico transparente forrada com papel de embrulho de prendas passadas, não ajuda… Deixa-la esquecida num canto do teu sótão poeirento com outras antiguidades por cima dela a ganhar altura não vai durar para sempre. Um dia, os teus problemas vão ganhar mãos e pés, conseguir sair da caixa, descer as escadas íngremes que levam ao andar inferior, abrir a porta do teu quarto sem ranger, subir para a tua cama com pezinhos de lã e acordar-te! E nesse momento poderá ser tarde mais fofi, poderás não conseguir afastar aquelas mãos da tua boca para que possas mais uma vez respirar. Nesse momento vais cair numa escuridão tão imensa que não vais nunca mais ter a força para sair. ‘Too late!’
Agora bebé, se preferes optar pelo Plano A, mais simples quero eu dizer, eu apoio-te! Vá linda eu ajudo-te a levantar e fazeres um plano para resolveres os tais diabinhos.
Conta-me então o que te levou a cair nesse desespero e depressão. Quem te largou quando estavam a sobrevoar o oceano pacífico e te largou para te deixar morrer afogada na parte mais funda e remota do oceano escuro? Será que foi isso que aconteceu? Ou foi, talvez, alguém que te levou num passeio sobrenatural e esplêndido e de repente disse que te ia deixar! Deixou todo o encanto jorrar como sangue até desaparecer por completo e partiu. Simplesmente virou costas e partiu. Não, é óbvio que eu não sei do que estou a falar. Tens razão fofura, tu lá sabes o que te levou a apodrecer por dentro de tal forma a que não deixes mais ninguém entrar. Honestamente gostava que te abrisses comigo, mas se achas melhor não, então desculpa. Se alguma vez precisares de alguma coisa, um favor, por muito pequeno que seja, lembra-te eu estou aqui! Não que isso te importe muito. Devias deixar os outros ver o teu brilho. Caíste nesse desespero tão agudo e para quê? Até parece que esperas que ele te veja assim e volte para ti. Embora ouças a voz perfeita e cristalina dele, por vezes isso não significa mais nada. Sim, verdade, talvez estejas realmente a ficar louca. Alucinações? É capaz… Mas tens mais pessoas à tua volta, não só esse vulto negro que te envolve nos seus braços. E qual é a tua ideia de fazeres essas loucuras? Pôr a tua vida em risco só para ver se ele volta para te proteger como dantes fazia? Por favor, enxerga-te! Cresce e aparece criança. Se ele partiu por alguma razão foi. Se ele te disse “eu simplesmente deixei de te amar” talvez fosse realmente a verdade. Mas eu ainda gosto de ti querida, estou aqui para te apoiar. Deixa-o para trás e segue em frente. Sim, ele partiu-te em mil pedaços e depois? Nunca ouviste falar de super cola?
XOXO Filipa Pereira

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